Sobrecarga

Aprendemos com o passar do tempo que esta tudo bem se tudo não estiver bem.

Mas se já aprendemos, por que continua tão difícil aceitar quando tudo parece estar desmoronando?

Sentamos inertes. Sem expectativas. Sem anseios. Cabeça latejante e olhos vazios, constantemente encarando o horizonte. Sentamos. Solitários e muitas vezes ignorados. Mal compreendidos por aqueles que nos cercam, e sem demonstrar, na verdade, mais nenhum interesse em ser compreendido. A gente desiste. Desiste de tentar, de lutar, de explicar. Sabe? Talvez não valha a pena.

O mundo pode ser cruel, ou melhor, não vamos culpar o mundo por algo que é exclusivamente culpa dos seres que o habitam. Reformulando, os seres humanos podem ser cruéis. Criamos escudos. Proteções contra ataques inesperados, pois não sabemos se aguentamos mais uma decepção para a conta. Pois seres humanos são especialistas em decepções.

Passamos metade de nossas vidas julgando as pessoas introvertidas, pois nós, falando pelos cotovelos, jamais seriamos capazes de entender quem não é como a gente, quem não expressa tudo que pensa e sente a todo momento. Isso, é claro, até chegarmos nesse estágio da vida. Em que observamos e aprendemos com os introvertidos, a sobreviver no meio tóxico em que nos encontramos.

E por que, afinal, não saímos? Por que não pegar nossa vida e tudo que nos pertence e simplesmente sair porta afora? Parece tão simples. Parece tão fácil. Mas voltamos ao ciclo da vida. As regras do mundo. A como os seres humanos estragam o mundo, mas como precisamos desses sacrifícios diários para sobreviver na selva, entre os predadores. Precisamos garantir nossa caça.

E o ciclo continua. O ritual constante, o olhar distante, a exclusão e o silencio.

Seja bem vindo a vida real, vai ser divertido!

 

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