Resenha | Espetacular: Uma novela da trilogia Caraval

“É um fato bem conhecido esta história contagiar os leitores com o espírito da Boa Festa e com sonhos de ser arrebatado.” ― Stephanie Garber, Espetacular

Ah se eu soubesse da existência desse livro no mês passado, seria a leitura perfeita pra semana do Natal, com um chocolate quente na mão e as decorações festivas, mas de toda forma é sempre bom sentir um pouco de espírito natalino fora de época, não é mesmo?

Espetacular (2023) é um livro bônus da trilogia Caraval; um especial de Natal. O livro tem 205 páginas (o que me surpreendeu demais porque li no Kindle em uma noite e achei que não tinha nem 100 páginas!) e se passa no Natal do primeiro ano do Império de Scarlett.

Na verdade aqui descobrimos que no universo de Caraval, no Império Meridiano, o Natal é chamado de Noite Feliz e não existe Papai Noel, as tradições e crenças são todas super diferentes, o que faz todo sentido já que estamos falando de um universo completamente distinto do nosso, onde deuses são criaturas cruéis e o cristianismo não existe.

O livro nos leva a uma nova aventura, onde acompanhamos Scarlett fazendo os preparativos para a grande festa da Noite Feliz que vai acontecer no palácio e Donatella vivendo o drama do século: O QUE DAR DE PRESENTE PARA LENDA?

A história gira, em sua maior parte, em volta de Tella e Lenda e o maior problema que eles sempre tiveram: a falta de comunicação. Lenda odeia a Noite Feliz, mas Tella acha que com o presente perfeito ela consegue fazê-lo mudar de ideia e parte nessa missão impossível. No meio disso tudo a querida consegue ser SEQUESTRADA e passa por maus bocados, tudo isso enquanto a festa rola solta em Valenda.

Se você tiver acabado de ler Finale, assim como eu, vai sacar rapidinho o que está acontecendo no livro, mas se não o final vai ser um plot twist bem bacana!

Não acho justo avaliar esse livro comparando com os outros três da série, mas é inevitável. Ele cumpre seu papel como uma novela especial de Natal, não é nada UAU a melhor coisa do mundo, mas é um bom presente pros fãs que estavam com saudade dessa turminha e desse universo.

Dito isso:  Nota: ⭐⭐⭐

Obs: se possível leiam a versão física porque o livro é todo ilustrado e depois de ver as fotos dele físico cheguei a ficar triste de ter lido no Kindle!

Foto: Fernanda Tomás

Resenha | Finale

“I’m the villain, even in my own story (eu sou o vilão, mesmo na minha própria história).” Stephanie Garber, Finale

Jogos Vorazes acaba de ganhar concorrência na categoria de melhor trilogia!

Finale (2019) é o terceiro e último livro da trilogia Caraval (Caraval, Lendário e Finale) e conclui a história das irmãs Dragna e seus amores, Lenda e Julian, perdidos em um universo cheio de magia, onde deuses são reais e não são nenhum pouco bonzinhos.

Após libertar os Destinos (forma que os deuses que eu citei são chamados nesse universo) das cartas de baralho onde eles estavam presos a séculos, Donatella, Scarlett, Julian e Lenda precisam arcar com as consequências de seus atos e descobrir uma maneira de evitar que Valenda vire um grande show de fantoches, onde os Destinos são os mestres e os seres humanos os bonecos.

Nesse livro as irmãs Dragna compartilham a narração, com alguns capítulos narrados por Scarlett e outros por Donatella. Um ponto que eu achei muito bacana é que os capítulos tem continuação imediata, começam exatamente onde o anterior acabou ou até um pouco antes para o leitor poder entender todo o contexto pelo olhar das duas irmãs.

Na humildade da minha mente pacata eu nunca conseguiria nem imaginar a forma absurda com que a história se desenrola, as situações onde os personagens principais se encontram no decorrer desse livro são tão criativas, tão intensas e amedrontadoras que em diversos momentos eu não imaginei que haveria um final feliz.

Eu não sei como ela conseguiu, mas aqui a Stephanie Garber se superou! O livro é perfeito, uma montanha-russa de emoções do início ao fim, cheio de detalhes, personagens, objetos e locais Predestinados, viagem no tempo, conhecemos muitos personagens novos e a história consegue continuar fluindo de uma forma leve e sem deixar o leitor sobrecarregado… é uma obra-prima.

Não posso falar muito sem dar spoilers, então só quero finalizar dizendo que Caraval é oficialmente a minha trilogia de livros favoritos, eu não acredito que alguém conseguiu pensar em uma história como essa e conseguiu transformar esses pensamentos em três livros perfeitos, redondinhos e amarradinhos e ainda dar pra cada personagem o final perfeito.

Hoje eu ainda fiquei sabendo que temos um especial de Natal que se passa depois do último livro então estarei lendo na sequência e trago resenha pra vocês!

À Donatella e Scarlett Dragna, Julian, Lenda… e Jacks (meu malvado favorito), obrigada por tanto e sentirei saudades.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Café, amor e especiarias (Dream Harbor #1)

“All you can do is the best you can do [tudo que você pode fazer é o melhor que você pode fazer].” ― Laurie Gilmore, Café, amor e especiarias

Sabe aquele famoso ditado “não julgue um livro pela capa“? Pois é. Eu fiquei fascinada pela coleção Dream Harbor desde o momento em que bati o olho na capa do primeiro livro. Não existia a possibilidade de um livro com a capa tão fofa ser ruim. Ou existia?

Café, amor e especiarias (2023) é o primeiro livro da coleção que se passa na pequena cidade de Dream Harbor. Nesse livro conhecemos a Jeanie, uma jovem que vive em Boston, trabalha dia e noite e não aguenta mais a rotina da cidade grande. Após viver um evento um tanto quanto traumático, Jeanie recebe a oferta de assumir as rédeas do café da tia em Dream Harbor e sem nenhuma experiência, mas muita coragem e vontade de mudar de vida, ela aceita a oferta.

Assim que Jeanie chega na cidade ela conhece o fazendeiro Logan, um homem fechado, tímido e misterioso… além de forte, com uma barba longa e um olhar de tirar o fôlego (palavras dela, não minhas). O livro é narrado pelos dois, com capítulos se intercalando entre o pov da Jeanie e o pov do Logan, o que eu AMO e acho que dá uma leveza pra história e faz tudo fluir muito melhor.

A autora trabalha muito bem os personagens, suas personalidades, passados e traumas, fazendo com que a gente entenda cada reação, cada reflexo e decisão que eles tomam. O romance é um slow burn (+18), os protagonistas tem seus traumas e inseguranças, mas nada ao ponto de ser irritante e o fato de podermos acompanhar o pov de ambos facilita muito na hora de compreender cada um individualmente.

Além do romance nós acompanhamos o passo a passo da adaptação da Jeanie na cidade, os desafios que ela enfrenta como dona do café, além da amizade que ela constrói aos poucos com cada morador de Dream Harbor.

Esse é um livro muito fofo, pra quem quer sentar com uma boa xícara de chá, a chuva caindo lá fora e relaxar. E é impossível não comparar a obra com trabalhos como Gilmore Girls ou até mesmo Stardew Valley, que tem toda essa pegada de cidade pequena, comunidade unida, etc.

Pelo que eu vi o segundo livro da coleção fala sobre outra personagem que já conhecemos muito bem no primeiro livro, a dona da livraria da cidade (genial, simplesmente genial), então já estou MUITO ansiosa pra ler!

Ah, e não, não existia a possibilidade desse livro ser ruim hahaha

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | A Noite em que ela Desapareceu

“É mais fácil lidar com as pessoas se elas te subestimam.” [People are easier to deal with if they underestimate you.] ― Lisa Jewell, A Noite em que ela Desapareceu

Um minuto de silêncio: EU ACABEI DE LER O SUSPENSE DA MINHA VIDA!

A Noite em que ela Desapareceu (The Night She Disappeared) conta a história do desaparecimento de um casal de jovens no interior da Inglaterra. Tallulah e Zach tem 19 anos, namoram desde a infância e acabaram de ter um bebê juntos, o pequeno Noah. Eles moram com a mãe e o irmão de Tallulah, Kim e Ryan.

Tudo corre bem ― aparentemente, é claro ― até que em uma noite de verão Tallulah e Zach desaparecem após comparecer a uma festa na piscina da mansão da família Jacques, a convite de Scarlett, uma colega de faculdade de Tallulah.

O livro tem 416 páginas e é dividido em partes e em narrativas diferentes, o que confesso que foi minha parte preferida porque conecta os pontos de forma genial! Começamos em junho de 2017, na noite do desaparecimento, narrada pelo ponto de vista de Kim, a mãe da jovem desaperecida.

Depois passamos para agosto de 2018, a parte do livro contada pela perspectiva de Sophie, uma escritora de livros de investigação que se muda para a cidade onde o desaparecimento aconteceu (aqui o ocorrido já completou 1 ano). Sophie é a namorada do novo diretor de uma escola particular da região e acabou deixando sua vida agitada em Londres para se mudar com o namorado. No início ela pode parecer uma peça aleatória no quebra-cabeças, mas ela é fundamental para a investigação dos desaparecimentos, já que todos os envolvidos no caso estudavam ou moravam na escola onde seu namorado trabalha e ela é MUITO curiosa!

E por último tempos a narrativa da própria Tallulah, que começa em 2016, quando ela ainda não havia reatado seu relacionamento com Zach (eles ficaram separados por um tempo) e conheceu Scarlett.

Com essas três narrativas avançando paralelamente nós conseguimos começar a costurar a grande rede que é A Noite em que ela Desapareceu. Com o avançar da leitura a linha do tempo da Kim alcança a da Sophie em 2018, enquanto as duas mulheres se unem para auxiliar na investigação, e a narrativa da Tallulah finalmente chega na noite do desaparecimento e as coisas vão ficando CADA VEZ MELHORES!

Ainda temos um quarto ponto de vista no epílogo que responde as últimas perguntas, liga os últimos pontos e nos deixa de queixo caído. Esse livro é uma obra prima do início ao fim.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Assistente do Vilão

⁠”Todos nós somos monstros, no fim das contas. Pelo menos o meu vive às claras.” ― Hannah Nicole Maehrer, Assistente do Vilão

Assim que comecei a leitura de Assistente do Vilão a história não me cativou, mas eu desconfiei desde o princípio que eu só não estava no humor certo pra leitura então após ler um suspense DAQUELES (A Paciente Silenciosa), resolvi dar uma segunda chance.

E que bom que eu voltei atrás! Não conseguiria me perdoar se não tivesse me permitido mergulhar de cabeça no pequeno universo construído ao redor de Evie Sage e do nosso tão amado Vilão. Confesso pra vocês que fazia muito tempo que a atmosfera de um livro não me fazia sentir tão em casa.

A Evie odiava ter que voltar pra casa depois do expediente no castelo do Vilão, mas eu provavelmente odiava mais ainda. Todas as cenas no castelo são incríveis, a atmosfera que eles foram construindo no decorrer da história, fazendo aos poucos a gente se importar com cada personagem e no fim vermos os funcionários do Vilão e até mesmo o chefe sendo parte de uma grande família é algo surreal.

Em um resumo da ópera um belo dia nossa protagonista Evie Sage acaba cruzando caminhos com o Vilão do reino, temido por todos e perseguido pelo rei. Evie estava desesperada atrás de um novo emprego para sustentar sua família e acaba acidentalmente conseguindo um emprego como assistente do Vilão.

Como toda boa história precisa de uma dose de romance obviamente nossos protagonistas acabam perdidamente apaixonados um pelo outro e nenhum dos dois faz a mínima ideia disso. Alguns capítulos são narrados pela assistente e outros (poucos na minha opinião) pelo Vilão e isso só deixa tudo ainda mais interessante.

Assistente do Vilão é o primeiro livro de uma trilogia e o grande plot da primeira parte da história além do romance proibido, é claro ― é um mistério envolvendo os funcionários do Vilão. Eles descobrem que alguém próximo do chefe é um traidor e está repassando informações privilegiadas dos planos do Vilão para o rei e precisam descobrir com urgência quem é esse traidor.

Em meio a traições, investigações, ataques, romance e muita magia nós vamos criando um apego profundo pelo universo e por cada personagem e no final ficamos sedentos pela continuação (ainda bem que já lançou).

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Resenha | A Paciente Silenciosa

“Escolher um amante é muito parecido com escolher um terapeuta. Precisamos nos perguntar, é alguém que vai ser honesto comigo, ouvir críticas, admitir erros e não prometer o impossível?” ― Alex Michaelides, A Paciente Silenciosa

A Paciente Silenciosa conta a história de Alicia Berenson, uma pintora renomada que em uma noite qualquer atirou cinco vezes no rosto do marido e desde então nunca mais falou.

Devido ao seu histórico psiquiátrico e ao silêncio duradouro, ao invés de ser presa Alicia é institucionalizada em uma clínica psiquiátrica.

O livro é dividido em duas narrativas. A primeira são páginas do diário de Alicia, onde temos breves vislumbres de sua vida antes do crime e começamos a coletar peças para montar o quebra-cabeças que é essa história. Já a segunda é a do psicoterapeuta Theo Faber, que esperou anos para poder trabalhar no caso de Alicia e acredita que apenas ele é capaz de fazê-la voltar a falar.

Theo consegue um emprego no Grove, a clínica onde Alicia está internada, e deixa claro desde o seu primeiro dia que seu objetivo é tratar a pintora e descobrir a verdade por trás de seu silêncio e o que motivou tamanha brutalidade.

Eu consigo entender por que esse livro teve críticas tão positivas. Ele é envolvente, cada capítulo te deixa mais curioso pra saber o desenrolar da história, o plot twist no final é realmente muito criativo, mas eu esperava mais…

Primeiramente acho importante ressaltar que eu cheguei em 65% da leitura avaliando a experiência como “mediana”. Livros de suspense geralmente me deixam intrigada, ligada na tomada, com vontade de ler o tempo todo pra decifrar os mistérios, mas aqui isso não aconteceu. Demorei um tempo relativamente longo nessa leitura ― mais de uma semana ― contando com o fato de que eu geralmente leio suspenses em 3 dias NO MÁXIMO, esse é um ponto bem negativo.

E quando a coisa finalmente começou a ficar interessante ― ali pelos 75% ― eu já tinha adivinhado tudo que ia acontecer em seguida. Eu sou péssima em adivinhar o final de séries, filmes e livros, então o fato de que um capítulo inteiro antes da grande revelação eu já sabia EXATAMENTE o que ia acontecer a seguir foi bem desanimador.

Mas eu também não quero ser hipócrita, porque mesmo tendo acertado o plot na mosca eu achei superinteligente! Quando eu percebi o que estava rolando meu queixo caiu lá no chão e foi difícil pegar de volta.

A Paciente Silenciosa está longe de ser um livro ruim, mas também está longe de ser um dos melhores suspenses que eu já li (e olha que eu nem li tantos). Eu esperava mais do enredo, do mistério, do suspense, da investigação, até dos personagens em si e de suas motivações. Acho que isso resume bem minha experiência aqui: eu esperava mais.

Nota: ⭐⭐⭐ ¹/²

Resenha | A empregada está de olho (A Empregada 3)

“Quer dizer, eu não acho que sou uma psicopata, mas não fui pra cadeia por colher margaridas.” (tradução literal) ― Freida McFadden, The Housemaid Is Watching

E ELA NÃO PARA! Freida McFadden é uma máquina e sabe o que o público quer. Após envolver o mundo com a história da intrigante Millie Calloway em A Empregada (2022) e O Segredo da Empregada (2023), entramos em 2024 com o terceiro (e espero que último) livro da série.

Mas por que eu espero que seja o último? Bem, a resposta é bem simples: já deu o que tinha que dar.

The Housemaid is Watching, que foi traduzido para A empregada está de olho, nos mostra uma Millie muito diferente da que vimos nos primeiros livros da série. Mais velha, já que a trama se passa mais de 20 anos no futuro, casada, com dois filhos e um novo sobrenome: Accardi. Millie deixou oficialmente seu passado turbulento para trás e atingiu seu maior objetivo: ser apenas mais uma mãe que vive no subúrbio, tão ordinária que beira o entediante.

“Ser ordinária sempre foi um sonho impossível pra mim, então estou feliz de ter conseguido.” (tradução literal) ― Freida McFadden, The Housemaid Is Watching

Nessa nova trama acompanhamos a família Accardi se mudando para sua casa dos sonhos no subúrbio, onde acabam descobrindo que a vida fora da cidade grande não é tão tranquila quanto parece, muito menos segura.

Com a estranha família Lowell e sua empregada na casa ao lado, uma vizinha bisbilhoteira e paranóica do outro lado da rua, barulhos assustadores durante a madrugada e todos os membros da família mudando de comportamento sem motivo aparente, Millie começa a se perguntar se tomou a decisão certa ao se mudar.

A protagonista passa metade do livro perdida, confusa, desconfiando de todos e todas e sendo enganada e enrolada por todos os personagens. Não sei se gostei da proposta, já que geralmente estamos mais acostumados a ler o livro na visão das pessoas que REALMENTE ESTÃO FAZENDO ALGUMA COISA NA HISTÓRIA! Aqui vemos a Millie mais perdida que cego em tiroteio durante 98% do tempo… além de se mostrar uma mulher passiva, que deixa coisas absurdas acontecerem embaixo do nariz dela sem tomar nenhuma atitude.

É claro que, como nos primeiros livros, em alguns momentos temos o privilégio de ler a história pelo ponto de vista de outros personagens e é aí que as coisas ficam interessantes.

No meu ver, mesmo com suas falhas, o livro cumpriu seu objetivo de instigar a leitura, com personagens envolventes (tem muito personagem novo aqui), bem construídos, muitos mistérios e respostas satisfatórias para todos eles. O plot do final realmente me surpreendeu, fiquei de queixo caído por uns 10 minutos.

Nota: ⭐⭐⭐ (não é ruim, mas esperava mais)

Resenha | O Fabricante de Lágrimas

“Talvez o nosso maior medo seja aceitar que alguém possa nos amar sinceramente pelo que somos.” Erin Doom, O Fabricante de Lágrimas

Sinopse: “Nica cresceu em um orfanato e os contos de fada eram seu único conforto em meio aos terrores reais que assombravam os corredores da instituição. Agora que é adolescente, escolheu deixar as fantasias infantis para trás e focar no seu sonho de ser adotada. Mas, quando o sr. e a sra. Milligan adotam Nica, para a surpresa dela, também decidem acolher Rigel, um misterioso e inteligente garoto que nunca se deixou ser adotado… até agora. E, apesar de ambos compartilharem o mesmo passado, a convivência não será nada fácil ― ainda mais porque Rigel aproveita qualquer oportunidade para relembrá-la do quanto a despreza.”

Em abril de 2024 a Netflix lançou o filme O Fabricante de Lágrimas, baseado no best-seller italiano da autora Erin Doom, publicado em 2021. Assim que ouvi falar sobre o filme e descobri que ele era baseado em um livro eu decidi que precisava lê-lo. Isso já virou algo rotineiro pra mim, ler livros que foram adaptados, mas nunca assistir as adaptações (depois de ler as críticas sempre perco o interesse).

Embarquei na leitura das 560 páginas de O Fabricante de Lágrimas sem saber muito sobre a história. Sabia que se tratava de um casal de adolescentes órfãos que eram adotados pela mesma família e acabavam se apaixonando. Ponto final.

Logo de cara achei a leitura um pouco arrastada, já que o romance em si demora BASTANTE pra acontecer, porém, conforme fui avançando na história e conhecendo mais profundamente os personagens entendi a importância da demora, da paciência e do aprofundamento detalhado da relação entre Rigel e Nica.

Eu descobri que muitas pessoas assistiram o filme e saíram com a impressão de que o relacionamento era tóxico e bizarro, sem entender a real profundidade dos sentimentos dos personagens ou como a situação em que eles se encontravam (se tornarem ‘irmãos’ de uma hora pra outra) não tinha como afetar o sentimento que eles desenvolveram um pelo outro desde a infância.

Confesso que a história demorou pra me cativar, a personalidade tóxica do Rigel unido com o jeito doce, ingênuo e inocente da Nica me fez revirar os olhos diversas vezes, mas valeu a pena seguir com a leitura. Conforme vai avançando nós finalmente começamos a entender de verdade a essência dos personagens e o que eles significam um para o outro.

Se você gosta de romances fofos, realmente românticos, em que há sentimentos correspondidos e principalmente COMUNICAÇÃO entre os personagens: ESSE LIVRO NÃO É PRA VOCÊ. Mas se você gosta de um enemies to lovers, de um slow burn beeeeem demorado e de histórias dramáticas e profundas, vale a pena a leitura.

Como já foi dito, esse não é um livro que eu indicaria pra qualquer pessoa, então vale a pena dar uma googlada antes de embarcar na leitura. Mas se você gostar, garanto que não vai se arrepender! Eu devorei o livro em dias, não conseguia dormir, comer, só pensava em Rigel e Nica 24/7… ele foi como uma droga do início ao fim (não sei nem dizer se no bom ou no mau sentido).

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | A Lenda da Caixa das Almas

“O futuro é como o horizonte: podemos persegui-lo, mas a cada passo que damos em sua direção, um passo ele se afasta” Paola Siviero, A Lenda da Caixa das Almas

Quando cruzei com uma opinião sobre esse livro no twitter, um print de uma conversa entre a autora e uma criança de 9 anos, e decidi comprar o ebook que estava sendo vendido pela bagatela de R$2,99, JAMAIS imaginei que a obra se tornaria uma das melhores leituras da minha vida.

A Lenda da Caixa das Almas, escrito pela autora brasileira Paola Siviero em 2013 e publicado 10 anos depois, em 2023, conta a história de Theo, um jovem de 16 anos que embarca em uma aventura que vai mudar sua vida para sempre.

No universo criado por Siviero, as pessoas tem conexões especiais com os animais e aos 16 anos cada indivíduo encontra seu anima, um animal que vai ser seu companheiro para o resto da vida. Theo e seu irmão gêmeo Otto sonham com o dia em que conhecerão seus animae, porém anos antes, em uma de suas caçadas habituais na Floresta Sombria, uma tragédia acontece e apenas um dos irmãos retorna.

Anos mais tarde, Theo se obriga a retornar a floresta onde tudo aconteceu para finalmente encontrar seu anima e retorna da aventura triunfante, surpreendendo a todos com seu anima raro.

Após encontrar seu anima a tradição dos clãs diz que o indivíduo precisa decidir qual será seu futuro, seu destino no mundo. O pai de Theo quer que ele vire caçador, assim como ele, porém o jovem se encontra mergulhado em um mar de incertezas. Não consegue se ver como caçador, nem como guru, nem como curandeiro… as vezes até pensa em fugir para não precisar tomar uma decisão.

“Seguir seu coração? Aquela coisa quebrada em vários pedaços dentro do peito, que parecia não ter a menor ideia do que fazer?”

Até que um dia, na calada da noite, um estranho invade seu quarto e revela um mundo até então desconhecido para o jovem. Um mundo de monstros, perigos e onde existe um clã de pessoas seletas e especiais, o Clã dos Guerreiros, que dedica suas vidas a combater o mal e manter os humanos a salvo. Theo é convidado para partir com o guerreiro e deixar sua antiga vida, família e até mesmo seu nome para trás.

Após encontrar seu destino ao lado dos guerreiros, Theo começa a finalmente descobrir quem realmente é, suas origens e que toda lenda tem um fundo de verdade.

A Lenda da Caixa das Almas tem um grupo de protagonistas incrível, diferenciado e com personalidades muito fortes. As aventuras são de tirar o fôlego, as tragédias são devastadoras e o final te deixa desesperado querendo mais.

Eu chorei, ri, passei muita raiva e me surpreendi ainda mais. Como pode um livro ter tanta reviravolta? Passei mais da metade do tempo da leitura de queixo caído, totalmente desacreditada!

O livro é considerado infanto-juvenil, porém eu recomendaria a partir dos 12 anos, já que não consigo imaginar uma criança mais nova que isso lendo algumas das cenas de batalha super detalhadas e sangrentas. Ele é o primeiro livro de uma coleção e o único a ser lançado até o momento, ou seja, é cruzar os dedos e esperar ansiosamente pelo lançamento dos próximos (sem pressa, Paola… mas se for rápido eu agradeço haha).

Vou encerrar com mais uma das muitas frases do livro que me tocaram de alguma forma (porque tem MUITAS). Mas essa em especial se encaixou demais no momento atual da minha vida e eu não poderia deixar de compartilhar.

“Muitos acabam se acomodando na insatisfação por medo do desconhecido. Ser feliz, na maioria das vezes, exige coragem.”

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Amor e Gelato

“Eu vou, porque é mais assustador não ir!” Jenna Evans Welch, Amor & Gelato

Escolhi essa frase porque aqui a mãe da Lina resumiu com clareza meu sentimento atual em processo de mudança pra Europa… nada que eu mesma escrevesse descreveria tão bem o sentimento.

Se você tem redes sociais e é um leitor assíduo com certeza já ouviu falar de Amor & Gelato, um livro de romance adolescente publicado em 2016 que foi (muito porcamente, diga-se de passagem) adaptado pela Netflix em 2022.

O livro conta a história da Lina, uma adolescente que acabou de perder a mãe para o câncer e se encontra em uma situação bem inusitada: ela precisa se mudar para a Itália para morar com um completo desconhecido porque esse foi o último desejo de sua mãe.

O que acontece é que a mãe de Lina havia passado algum tempo em Florença, na Itália, durante sua juventude e ela queria muito que a filha morasse onde ela morou e vivesse com um de seus melhores amigos e ex-namorado da época. Um homem que mais tarde, por intermédio da avó, Lina descobre ser ninguém mais ninguém menos do que o pai que ela nunca conheceu!

A jovem embarca nessa aventura com o coração partido pela perda da mãe e muitas perguntas. Quem era Howard, o homem misterioso? Por que sua mãe nunca havia lhe contado que morou na Itália? Por que ela escondeu que Howard era seu pai? Quem realmente era sua mãe e por que ela criou a filha cercada por mentiras e mistérios?

Ao chegar na Itália a jovem descobre que sua mãe deixou um de seus diários para a filha, o diário que ela mantinha na época em que morou ali, e que possivelmente vai ajudá-la a encontrar as respostas para tantas perguntas.

MAS E O ROMANCE? Em seu primeiro dia na nova realidade, ao correr pelas belíssimas colinas dos vinhedos italianos, Lina conhece Lorenzo (Ren!!!), um jovem italiano que mora próximo da sua casa e vira seu melhor amigo quase que imediatamente. E é ao lado dele que a nossa protagonista embarca em uma intensa jornada para descobrir a verdade sobre o passado e decidir o que será de seu futuro.

Temos um friends to lovers no clássico estilo adolescente: poderia ser fácil, mas adolescentes não sabem se comunicar e transformam tudo em um grande show de horrores! Mas é lindo ver a amizade deles evoluir e se transformar em amor. Eles são fofos demais e shippaveis do início ao fim.

Dito isso, Amor & Gelato é um livro que aborda temáticas intensas, mas mesmo assim consegue ser uma leitura muito leve e gostosa, que te faz viajar para a Itália e refletir sobre todas as decisões que você já tomou na vida!

⚠️ ATENÇÃO: Se você está lendo essa resenha antes de ver a BOMBA que é o filme, por favor, não assista o filme porque ele não tem absolutamente nada a ver com o livro. A Netflix conseguiu transformar algo fofo e cheio de significado em um triângulo amoroso bobo e sem sentido.

Nota: ⭐⭐⭐