Suas escolhas te trouxeram até aqui

Você acredita que tudo acontece por um motivo?

Até uma certa etapa da minha vida eu sofria por antecedência, pensava demais, agia pouco, e me arrependia constantemente. Com os anos isso foi se tornando um fardo, praticamente insuportável de se carregar, a vida ficou pesada, nada tinha cor, toda e qualquer decisão era motivo para uma crise de nervos e qualquer erro cometido resultava em mais algum bom tempo de auto reprovação.

Mas como muitos falam, o tempo é nosso amigo, e ele trouxe o conhecimento de muitas coisas que na época eu não conhecia.

As escolhas continuaram sendo tomadas, mas não mais erradas, porque no final, nenhuma escolha é errada, toda e qualquer escolha que você já fez na sua vida, te tornaram a pessoa que você é hoje, e te trouxeram para o lugar onde você esta.

Talvez esse lugar não seja ainda o que você almejava, mas estar onde você esta agora, é apenas mais um estimulo para te fazer mudar o destino e seguir outros caminhos.

Pense bem, se você tivesse o poder de mudar qualquer coisa no seu passado, qualquer mínima coisa, uma pessoa que você conheceu, uma noitada em que você perdeu totalmente o juízo e a memoria, uma briga, um emprego que você largou… o que essa mudança desencadearia?

 A dor precisa ser sentida, a vida precisa ser vivida. Se sentir o amor, deixe-o transbordar, se sentir medo, se aventure, pare de dizer não, pare de arrumar desculpas e mais desculpas, de desmarcar compromissos. Diga sim para a vida, saia, se divirta, tente ao menos uma coisa nova por mês, por semana, por dia. Saia da sua zona de conforto, nada de incrível acontecera enquanto você estiver nela. Faça uma lista de coisas que você nunca fez, coisas que você vê os outros fazendo e pensa “Uau, e se fosse eu?”, e as faça, corra atrás dos seus objetivos, não deixe a vida passar em branco, e não tenha medo de amar.

Não se arrependa das suas escolhas, mas sim aprenda com elas, evolua, cresça, floresça, seja uma pessoa melhor, dia após dia. VIVA!

Mãe, eu sou mulher

Mãe, quando eu tinha 8 anos de idade todos os meninos da escola faziam graça com o meu nome, me davam apelidos e me diminuíam.

Eu nunca fiz nada, e até ai tudo bem. Mas aos 10, mãe, eu aprendi a me defender, e ai, ouvi pela primeira vez a frase “Você tem que agir como uma menina”. Mas o que, pra eles, era agir como uma menina? Apanhar em silêncio? Ver meus sentimentos sendo destraçados sem piedade e não fazer nada?

Mãe, aos 14 anos alguém me falou “Você deve ser lésbica, afinal, nunca teve um namorado”. Na época isso me ofendeu, hoje em dia eu penso, quem me dera ser, poder viver cercada dessa raça maravilhosa que somos nós, as mulheres, mas afinal, por que eu precisaria de um homem pra ser considerada MULHER?

Aos 15, mãe, eu virei mulher, e mesmo amando, e mesmo feliz, eu ouvi “Nenhum homem direito vai te querer agora”, e mãe, eu me pergunto, essa frase deveria mesmo me afetar tanto? Porque eu não senti nada.

Aos 18 eu aprendi que a vida esta ai pra ser vivida. Eu vivi. E eu descobri, das piores formas possíveis, que eu não podia pegar um ônibus sozinha a noite para ir para a balada, porque minha saia era contra as regras de vestimenta noturna. Descobri que não podia entrar na balada sozinha, porque todos no lugar me olhariam torto e os homens cairiam matando como se eu fosse carne em uma churrascaria. Descobri que se eu viajasse sozinha, andasse sozinha, comprasse sozinha, vivesse sozinha, eu estava dando direito total a estranhos para se apropriar e abusar de mim.

Mas eu nunca entendi o porquê, mãe. Eu chorei, eu pensei, eu tentei entender, eu aprendi a viver. Aprendi a carregar uma faca na mochila para ir pra escola as 6 da manhã, aprendi a usar um sobretudo para ir pra balada, mesmo que depois eu tivesse que pagar chapelaria, aprendi a fingir que estou no telefone com o meu namorado quando estou sozinha na rua e algum estranho passa ao meu lado, aprendi a olhar pra baixo e seguir caminho quando alguém me fala coisas grotescas na rua, porque se eu me defender, algo ainda pior pode acontecer, mas por que, mãe? Eu preciso entender.

E hoje, eu entendi.

É por que eu sou guerreira, sou forte, sou independente, sou inteligente e cheia de vida, vou atrás dos meus sonhos e não desisto até alcançar meus objetivos, muitas qualidades, não é mesmo? Mas aparentemente nada disso importa, mãe, porque eu nasci MULHER.

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Feliz dia internacional da mulher pra cada uma de vocês, batalhadoras, guerreiras, que lutam dia após dia para um mundo justo e seguro para cada uma de nós. Nós merecemos, e nossa luta não é só hoje, mas todos os dias!

Solidão

O tempo cura, o vento leva, é o que me foi dito

Todos os males que sofri, e que tenho sofrido.

E  é tão engraçado como o vazio preenche

Cada pedacinho do nosso corpo inconsciente.

Procurar amor em cada pessoa na rua,

mas depois descobrir que são todas frias, e cruas.

A gente não sabe o que tem até o dia que perde

a gente não ama quem ama a gente, isso não é coerente.

Me disseram um dia pra não ficar onde não sou aceito

mas o que a gente faz quando não se tem mais jeito?

– Fernanda Tomás

Sobre 2016

Sei que já gravei um mini vídeo pro canal falando como eu me sinto a respeito desse ano que se passou, mas eu sei que me saio muito melhor com palavras escritas, e sei que ainda tenho muito mais coisas pra falar, então aqui estamos, falando sobre 2016.

Eu nunca tive tanto pra falar sobre um ano da minha vida. Até 2015, eu sempre estive na escola, sempre tive um namorado, nunca vivi muitas aventuras e nem me arrisquei a fazer muitas coisas novas. Sempre vivi na zona de conforto e sempre estive bem com isso. Mas 2016 foi diferente, e sou muito grata por isso.

Em 2016 eu resolvi mudar os trilhos da vida, sair da rota pré planejada onde eu deveria sair da escola e entrar na faculdade, e embarcar em uma nova aventura.

Em agosto de 2016 a menina do RS que fala “leite quente” e toma chimarrão todo fim de tarde com a família, a mesma que nunca saiu da casa da mãe, a não ser pra morar com o pai, entrou em um avião pela primeira vez, e embarcou sozinha, pro outro lado do mundo.

Foi difícil me adaptar a tudo. A saudade castiga. Quem vê de fora acha lindo, um sonho, “como ela é sortuda por estar lá”, “não pode reclamar de nada, afinal, muitos gostariam de estar no lugar dela”, “se é pra sofrer que seja nos EUA”, essas são apenas algumas das frases que a gente escuta todo santo dia na nossa vida de estrangeiro.

Mas é tudo uma ilusão. A gente viaja, a gente é feliz por breves finais de semana, por uma semana de férias, pelo tempo que esta com os amigos, mas e o restante? E a vida por trás das fotos? E o choro de madrugada por não sentir que pertence aquele lugar e por sentir que ninguém realmente gosta ou se importa contigo?

E esse papinho de “se é pra sofrer que seja nos EUA”, não meus amigos, a frase correta é “se for pra sofrer, que seja ao lado de quem você ama, pra receber um abraço e uma palavra amiga”, essa sim é a frase certa. E metade das pessoas que “dariam qualquer coisa pra estar no nosso lugar” não aguentariam essa barra nem por metade do tempo que a gente aguenta.

Mas 2016 não foi de todo o ruim. Foi sim um ano de descobertas, um ano de novidades, de sonhos se realizando, de viagens, de crescimento pessoal, de memórias que vão ficar comigo pra sempre, foi um dos melhores anos da minha vida no quesito experiências. Eu sai da zona de conforto, e isso é algo que merece um premio. Mas 2016 também não foi um mar de rosas, e é isso que eu vim trazer pra vocês nesse texto.

Não olhem pra grama do vizinho, aproveitem o que vocês estão vivendo, no momento em que estão vivendo. Eu, Fernanda, e muitas outras au pairs ao redor do país, dariam TUDO, eu disse TUDO pra passar o natal no calor do Brasil comendo uva passa e ouvindo os parentes chatos falando besteira, e trocariam toda a vida americana pra poder abraçar quem a gente ama na virada do ano.

Façam 2017 valer a pena, não importa onde vocês estejam. E qual é o meu objetivo pra esse ano? Começa com B  e termina com L, e a sua bandeira é verde e amarela. Logo logo eu to de volta minha terra natal!

Feliz ano novo!

Rematch? E agora

Hoje eu vim trazer pra vocês o post mais detalhado possível sobre um assunto que muito interessa a toda e qualquer pessoa que é ou pretende ser au pair: Rematch.

Quando você sai do conforto da sua casa, do abraço daqueles que você ama, quando você desembolsa muitas vezes todo o dinheiro que você tem em algo, você espera receber em troca apenas dor e sofrimento? É claro que não, e é por isso que falar sobre a opção do rematch é tão importante.

Quando nós viemos pra esse país desconhecido, pra morar com pessoas desconhecidas, trabalhar, conviver, depender dessas pessoas pra tudo, muitas vezes não imaginamos a quantia incontável de problemas que podemos ter. Mas infelizmente esses problemas existem, e na maioria dos casos, infelizmente, eles acabam aparecendo, mais cedo ou mais tarde, e depende muito de você saber onde esses problemas passam do seu limite e se tornam insuportáveis.

A vida de au pair não é fácil, não se enganem achando o contrario, existem muitas coisas sim que nós temos que aguentar e seguir de cabeça erguida, porque isso faz parte do que nos disponibilizamos a viver aqui. Ter que cuidar de crianças muito difíceis e não poder repreende-las, pois deve seguir os métodos de educação propostos pelos pais, ter que muitas vezes dar satisfação de onde vai, com quem e quando volta, sendo que na maioria dos casos não fazíamos isso nem com nossos próprios pais, ter horário pra chegar em casa, o famoso toque de recolher, essas são coisas que a maioria das meninas, inclusive eu, tem que vivenciar diariamente, e acreditem, são coisas super normais e aceitáveis.

Então a pergunta é: quando pedir rematch?

Minha primeira dica é: esperem um mês. Se você acabou de chegar na família, e na primeira semana já pensou em pedir rematch por diversos motivos, ESPERE. Existe a grande possibilidade de você estar agindo e pensando com a influencia de um sentimento muito comum entre intercambistas: a homesick. Espere um mês, e se o sentimento continuar, se os motivos continuarem, se você ainda não se sentir melhor e mais confortável, ai sim pense na opção do rematch.

Agora, como eu sei que eu devo pedir rematch?

Existem casos e casos, mas agora vou citar os casos mais graves de rematch, onde muitas vezes as meninas acham que estão exagerando, e muitas vezes não pedem rematch, mesmo tendo todos os motivos para faze-lo.

Pergunte a si mesmo: Eu tenho acesso a alimentação básica? A todos os nutrientes necessários, legumes, pão, alimentos em geral? Eu tenho um quarto privado só pra mim? Eu estou trabalhando mais do que as 45 horas semanais e as 10 horas diárias, sem ganhar extras por isso e sem ter concordado com isso? Eu estou tendo problemas pra estudar ou ter uma vida social devido ao meu schedule? Algo que a família faz ou fala esta te prejudicando de alguma forma, física ou psicologicamente?

Essas perguntas podem parecer bobas, até mesmo estupidas, mas existem centenas de meninas que passam fome, que trabalham feito escravas, que limpam as casas de cabo a rabo, e acham que não estão fazendo mais do que sua obrigação, e isso NÃO É VERDADE.

Essas perguntas a cima, são amostras de motivos óbvios para o pedido de rematch, mas você também pode pedir pelo motivo mais óbvio de todos: EU ESTOU INFELIZ!

No vídeo abaixo eu conto detalhadamente os motivos porque EU pedi o rematch, e o meu motivo principal? EU ESTAVA INFELIZ. A soma de pequenas coisas na minha vida, na minha rotina, e principalmente no meu horário de trabalho, ocasionaram uma homesick monstruosa e uma tristeza gigantesca, e o rematch, esse bixo de sete cabeças, me trouxe luz, paz, aconchego e felicidade.

Sei que esse texto ficou gigante, então provavelmente se você leu ele até agora, é porque esta com a pulga atrás da orelha e não sabe se vale a pena ou não. E eu só tenho mais uma coisa pra te dizer: NINGUÉM nasceu pra sofrer, NINGUÉM sai do aconchego do lar pra ser maltratado, pra passar fome, ou pra ser infeliz. SEMPRE há algo melhor esperando por você. Largue a sua vida nas mãos de Deus, tenha fé, e ele vai colocar cada peça no seu devido lugar.

 

Homesick!

Ola! Tudo bem com vocês?

Hoje eu vim falar sobre uma coisa que muitas pessoas não dão muita atenção, uma palavra que a gente ouve muito antes de deixar o nosso lar, mas acaba ignorando porque jamais seríamos capazes de saber exatamente o que essa palavra significa, sem antes se colocar a prova.

Eu vim falar de Homesick. Pra quem não sabe, homesick é basicamente o sentimento que você tem quando esta longe de casa, e começa a entrar em uma espécie de depressão, tudo te faz ter saudade de casa, tu chora dia e noite e quer pegar o primeiro avião que te leve de volta pras pessoas que tu ama. A melhor definição dessa sensação, na minha opinião, é que existe uma mão, grande e forte, segurando o nosso coração, e você consegue imaginar perfeitamente essa mão apertando e esmagando lentamente o nosso coração, até o peito queimar e os a garganta secar, até sair aquele soluço pesado no meio do choro.

PESADO? É, e era exatamente o que eu queria tentar passar pra vocês. Essa dor, esse sentimento, só é realmente compreendido por quem já passou por essa experiência. Eu tive nas minhas duas primeiras semanas, existem muitas meninas que tem no terceiro mês, ou no fim do primeiro ano, não existe um padrão para se ter homesick, mas a grande maioria das pessoas sempre acabam tendo, infelizmente.

Mas a parte boa disso tudo, é que a homesick passa, você começa a descobrir que pode ser feliz sozinho, que pode arrumar amigos, conhecer lugares e ser feliz sem a presença das pessoas que você ama e das pessoas que estavam sempre ali com você. Você consegue a perceber que não é tão triste assim ficar em casa em um sábado a noite assistindo um filme e ouvindo música, e aprende que ver os snapchats dos seus amigos e ficar imaginando o que a sua mãe esta fazendo, só vai te causar mais dor e sofrimento.

Mas agora preste muita, muita atenção, ELA PASSA, ela realmente passa, eu sei o quanto é difícil ler isso e acreditar, porque quando era comigo, MEU DEUS, eu achei que ficaria daquele jeito pra sempre, e não fiquei.

Boa sorte pra todos vocês que já passaram, estão passando ou ainda passarão por esse transtorno da vida, e sejam felizes!

O que houve, afinal?

Total decepção.

Você olha ao redor e nada te inspira, nada te incentiva a prosseguir, você começa a desanimar com os planos, largar os projetos de mão e colocar os compromissos de lado.

Essa é basicamente a descrição do que venho sentindo nos últimos meses, e uma breve explicação do porque estive tão ausente do canal, do instagram, e principalmente aqui do blog.

Eu desisti da natação, desisti do violão, nunca mais gravei um vídeo, nem abri o Sony Vegas, pra falar a verdade nunca mais abri meu notebook, no máximo sei onde ele esta guardado.

A rotina cansativa do trabalho poderia ser minha desculpa, mas sinto que tem algo a mais nesse emaranhado de sentimentos. Estou me divertindo a beça, e nunca fui tão feliz, não pensem o contrário ou julguem minha falta de vontade como tristeza, mas então, o que seria?

Crise existencial? A crise dos 18? Eu vou finalmente começar a duvidar de tudo e de todos? Não sei se é algo que eu gostaria de provar nessa época da minha vida, em que tudo esta tão bom e se encaminhando pro lado certo.

Só queria que existisse um remédinho pra dar um UP na vida, assim eu começaria a aproveitar as oportunidades novamente e voltaria a ativa com vocês, com o intercâmbio e comigo mesma.

Pensei em escrever algo pra me relatar com vocês, e também pedir um help pra ver se alguém já passou por isso e sabe como sair dessa bad hahah

Espero que entendam, um beijo! Amo todos vocês e logo, logo estarei de volta!