Resenha | Uma livraria com aroma de canela (Dream Harbor #2)

“Maybe she hadn’t needed to change her life, maybe she’d just needed to change how she saw her life. How she saw herself.” ― Laurie Gilmore, Uma livraria com aroma de canela

Uma livraria com aroma de canela (2024), tradução criminosa do título original The Cinnamon Bun Book Store, é o segundo livro da coleção Dream Harbor.

Nele, acompanhamos a história da Hazel, uma jovem de 29 que trabalha na livraria Cinnamon Bun desde muito nova, além de ser muito reclusa e sempre preferir estar na companhia de um bom livro ao invés de sair e se aventurar.

Porém, com seu aniversário de 30 anos chegando, Hazel começa a ter uma crise existencial e repensar suas escolhas de vida. Nesse meio tempo recados misteriosos, pistas na verdade, começam a aparecer nos livros de romance da livraria onde ela trabalha. Mas quem poderia estar fazendo isso?

Tudo aponta para Noah, o pescador da cidade, que é completamente obscecado pela protagonista e se oferece prontamente a ajudar na investigação da origem dessas pistas.

Bem, vamos começar por um ponto muito importante: não faça uma capa outonal, com folhas caindo e com um título que 100% leva o público a imaginar que vão ler um romance outonal SE O LIVRO SE PASSA NO VERÃO.

Sim, Uma livraria com aroma de canela é um romance de verão. Hazel e Noah embarcam em um verão de aventuras juntos, desvendando as pistas misteriosas e vivendo todas as aventuras que a protagonista não viveu durante os seus 20 anos.

E por falar em romance de verão: EU NÃO AGUENTO MAIS LIVROS DE ROMANCE ONDE DOIS ADULTOS 100% FUNCIONAIS NÃO CONSEGUEM TER UM DIÁLOGO! Passei 96% do livro sofrendo em silêncio (e 4% em voz alta) porque simplesmente nenhum dos dois tinha a capacidade de expressar o que sentia, SENDO QUE O TEMPO TODO OS DOIS SENTIAM A MESMA COISA.

Não entra na minha cabeça que uma mulher inteligente, beirando os 30 anos, seja tão ingênua a ponto de não entender que o cara gosta dela e não ter coragem de falar pra ele o que ela sente. O Noah, mesmo sendo mais jovem, ainda era mais maduro que ela em muitos pontos e deu mais profundidade à história com todo o seu drama familiar.

Além de tudo isso ainda achei o romance como um todo extremamente adolescente, esse negócio de “romancede verão”, “romance com prazo de validade”, “nada sério, só um lance casual”... sem paciência. Até o hot perdia o encanto porque eles sempre usavam o sexo pra evitar conversar.

Dito isso, esse livro me decepcionou muito porque eu tinha gostado bastante do primeiro. Ficou faltando aquele sentimento de conforto, aquele abraço gostoso e a vontade que a gente fica de morar naquela cidade, ser amigo daquelas pessoas, que eu fiquei quando li o primeiro livro.

Vou esperar um pouco pra ler o próximo, mas estou ansiosa porque ouvi boatos de que o restante da coleção só melhora… veremos.

Nota: ⭐⭐

Resenha | Café, amor e especiarias (Dream Harbor #1)

“All you can do is the best you can do [tudo que você pode fazer é o melhor que você pode fazer].” ― Laurie Gilmore, Café, amor e especiarias

Sabe aquele famoso ditado “não julgue um livro pela capa“? Pois é. Eu fiquei fascinada pela coleção Dream Harbor desde o momento em que bati o olho na capa do primeiro livro. Não existia a possibilidade de um livro com a capa tão fofa ser ruim. Ou existia?

Café, amor e especiarias (2023) é o primeiro livro da coleção que se passa na pequena cidade de Dream Harbor. Nesse livro conhecemos a Jeanie, uma jovem que vive em Boston, trabalha dia e noite e não aguenta mais a rotina da cidade grande. Após viver um evento um tanto quanto traumático, Jeanie recebe a oferta de assumir as rédeas do café da tia em Dream Harbor e sem nenhuma experiência, mas muita coragem e vontade de mudar de vida, ela aceita a oferta.

Assim que Jeanie chega na cidade ela conhece o fazendeiro Logan, um homem fechado, tímido e misterioso… além de forte, com uma barba longa e um olhar de tirar o fôlego (palavras dela, não minhas). O livro é narrado pelos dois, com capítulos se intercalando entre o pov da Jeanie e o pov do Logan, o que eu AMO e acho que dá uma leveza pra história e faz tudo fluir muito melhor.

A autora trabalha muito bem os personagens, suas personalidades, passados e traumas, fazendo com que a gente entenda cada reação, cada reflexo e decisão que eles tomam. O romance é um slow burn (+18), os protagonistas tem seus traumas e inseguranças, mas nada ao ponto de ser irritante e o fato de podermos acompanhar o pov de ambos facilita muito na hora de compreender cada um individualmente.

Além do romance nós acompanhamos o passo a passo da adaptação da Jeanie na cidade, os desafios que ela enfrenta como dona do café, além da amizade que ela constrói aos poucos com cada morador de Dream Harbor.

Esse é um livro muito fofo, pra quem quer sentar com uma boa xícara de chá, a chuva caindo lá fora e relaxar. E é impossível não comparar a obra com trabalhos como Gilmore Girls ou até mesmo Stardew Valley, que tem toda essa pegada de cidade pequena, comunidade unida, etc.

Pelo que eu vi o segundo livro da coleção fala sobre outra personagem que já conhecemos muito bem no primeiro livro, a dona da livraria da cidade (genial, simplesmente genial), então já estou MUITO ansiosa pra ler!

Ah, e não, não existia a possibilidade desse livro ser ruim hahaha

Nota: ⭐⭐⭐