Resenha | O Natal de Poirot

“Os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extraordinariamente bem…” ― Agatha Christie, O Natal de Poirot

Após longos períodos de ressaca literária e uma meta de leitura frustrada, resolvi encerrar 2025 com um livro de Natal, mas não apenas um livro de Natal: um livro de Natal de mistério/investigação.

Minha escolha foi o clássico O Natal de Poirot, da gigante Agatha Christie. Esse foi meu primeiro livro da autora, o que é uma vergonha visto o quanto eu amo livros de mistério, mas antes tarde do que nunca.

Comecei a leitura na véspera de Natal e finalizei pouco antes da virada do ano e amigos, QUE LIVRO BOM. Pra quem, assim como eu, não é familiarizado com as obras de Christie, Poirot é considerado o segundo detetive mais famoso da literatura, ficando atrás apenas de Sherlock Holmes, e ele protagoniza mais de 33 livros e 50 contos da autora.

Nesse livro de 240 páginas acompanhamos o Natal da conturbada família Lee. O milionário Simeon Lee é um homem de idade avançada que vive em uma mansão luxuosa com o filho mais velho e a nora. Para o Natal desse ano ele decide que quer reunir toda a família Lee, o que inclui filhos que ele não vê há mais de 20 anos, uma neta e noras que ele nunca sequer conheceu.

O Natal dos Lee tem tudo para ser um verdadeiro caos, filhos que se odeiam, pessoas com personalidades completamente diferentes embaixo do mesmo teto e o principal: o patriarca avisa que irá fazer mudanças no seu testamento no dia seguinte ao Natal e ameaça cortar as mesadas dos filhos!

É diante desse cenário que Simeon Lee é assassinado… A polícia local entra em ação para investigar o crime, com assistência do famoso detetive Hercule Poirot, que estava na cidade a passeio.

Pensem em uma história cheia de plot twists. Eu achei literalmente impossível descobrir quem era o assassino, tudo era possível e impossível ao mesmo tempo, todas as teorias eram boas, mas nada era concreto até o momento da grande revelação. Meu queixo ficou no chão e falei “É O QUE?” no mínimo 10 vezes.

Uma obra-prima, recomendo demais!

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Aprendiz do Vilão

“Cuidado com a fúria de um coração bondoso.” ― Hannah Nicole Maehrer, Aprendiz do Vilão

Que bom voltar pra casa! Quase 1 ano depois de ler o primeiro livro da trilogia Assistente do Vilão eu embarquei na leitura da sua continuação: Aprendiz do Vilão, e que saudade que eu tava!

Aprendiz do Vilão já começa com os ânimos lá em cima, após o Vilão ser capturado pelo rei Benedict e sua assistente Evie Sage ter ficado no comando da mansão e da Guarda Malevolente. No final do primeiro livro vimos nossa protagonista determinada a ultrapassar qualquer limite para resgatar o chefe e aqui descobrimos quais são esses limites…

Evie continua sendo o ponto alto da história, com sua personalidade forte, sua forma positiva de ver o mundo, bom humor, leveza, mas sem deixar isso a impedir de ser forte, determinada, inteligente e perspicaz. Ela é boa, mas ela não é boba e é isso que faz dela uma protagonista tão incrível e diferente das demais.

Falando de romance, após mais de 500 páginas de slow burn entre assistente e chefe, sinto informar que temos mais 500 páginas de slow burn entre assistente e chefe… eu não sou melhor do que ninguém e AMO um slow burn, mas nada me irrita mais do que quando o slow fica SLOW DEMAIS. E infelizmente a Hannah perdeu totalmente a mão. No segundo livro vemos os sentimentos entre os dois protagonistas ficando mais fortes e mais claros, mas eles parecem cada vez mais incapazes de se comunicar e colocar esses sentimentos em palavras e isso me estressa profundamente.

Romance a parte, Aprendiz do Vilão entra de cabeça na parte mais política e moral da história, mostrando como o Vilão acabou assumindo um papel na sociedade que não necessariamente lhe cabia, quando na verdade o verdadeiro vilão é outro. O livro mostra como existe uma linha tênue entre o que é bom e o que é mau e nem sempre as coisas podem ser preto no branco.

Amei acompanhar a Evie assumindo seu papel como aprendiz do Vilão, batendo no peito e com orgulho dos seus feitos maléficos, assim como amei poder conhecer mais sobre o passado e as histórias de personagens secundários, principalmente da Becky.

Eu amo ser uma pessoa que não adivinha as coisas. Nada pra mim é óbvio e tudo é uma surpresa. Então desde que o pai da Evie foi revelado como espião no fim do primeiro livro meu queixo ficou no chão praticamente o tempo todo com tanta revelação.

Não vejo a hora de saber o final dessa história, mas depois de 544 páginas e meses pra finalizar essa leitura (culpa da minha rotina, não da história), vou dar uma pausa no drama de Rennedawn.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Resenha | A Biblioteca dos Sonhos Secretos

“Portanto, sempre que me sinto alegre ou feliz digo pra mim mesma que valeu a pena me esforçar para nascer.” ― Michiko Aoyama, A Biblioteca dos Sonhos Secretos

A Biblioteca dos Sonhos Secretos (2023) é um livro sobre o poder dos livros e do subconsciente humano.

Encontrei esse livro após me surpreender com Antes Que o Café Esfrie, do escritor japonês Toshikazu Kawaguchi, e pesquisar por livros semelhantes.

Assim como em Antes Que o Café Esfrie, nesse livro acompanhamos a história de um personagem diferente a cada capítulo. Cada personagem chega a biblioteca comunitária a procura de algo simples e acaba saindo de lá com uma nova perspectiva de vida.

Como isso acontece? Graças a Sayuri Komachi, a bibliotecária do local, que com uma simples pergunta (‘o que você procura?‘) e muita intuição, indica o livro perfeito pra cada pessoa.

A Biblioteca dos Sonhos Perdidos é um livro reflexivo, que te faz ver a vida com outros olhos por meio de personagens cheios de personalidade e extremamente cativantes. Cada um com suas particularidades, sonhos esquecidos ou planos frustrados, que ao longo da história percebem que existe sempre uma forma melhor de ver e viver a vida e que nunca é tarde demais.

Como todos os personagens citados no livro vivem na mesma comunidade, por vezes as histórias se cruzam e ficamos sabendo um pouco sobre os outros personagens na história de seus vizinhos. Eu amo esse tipo de construção de universo, então foi um ponto positivo pra mim.

No geral eu achei que vale a pena a leitura, mas não é nada revolucionário ou que vai te marcar pra sempre, eu mesma estou escrevendo essa resenha semanas depois de terminar a leitura e já não lembro de muita coisa.

Se vocês lerem me contem o que acharam!

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Antes Que O Café Esfrie

“Se fosse possível viajar no tempo, quem você gostaria de encontrar?” ― Toshikazu Kawaguchi, Antes Que O Café Esfrie

Antes Que O Café Esfrie (2022) do autor japonês Toshikazu Kawaguchi, é uma viagem nostálgica e aconchegante pela natureza humana. Explora os sentimentos, pensamentos e decisões do ser humano como nada que eu já tive o prazer de ler até hoje.

O livro conta a história de um pequeno e antigo café no Japão onde é possível voltar no tempo. O café chegou a ficar famoso devido a essa lenda, mas com o tempo os curiosos pararam de visitar o local devido as muitas regras para fazer a tal viagem.

Primeiro: para viajar no tempo a pessoa deveria estar sentada em uma cadeira específica;

Segundo: ela não poderia sair dessa cadeira enquanto estivesse no passado, se o fizesse seria automaticamente transportada de volta ao presente;

Terceiro: Nada que fosse feito ou dito no passado afetaria de qualquer forma o presente;

E por último a regra mais importante: o café servido ao viajante deveria ser terminado antes que o mesmo esfriasse. Caso contrário as consequências eram fatais.

Diante de tantas exigências e dificuldades e do fato confirmado de que nada feito no passado alteraria o presente, pouquíssimas pessoas se arriscavam nessa aventura. Porém, durante as 208 páginas desse livro, acompanhamos a história de quatro pessoas que se arriscaram…

Cada capítulo é destinado a uma dessas viagens e cada história é contada com tamanhos detalhes e profundidade que é praticamente impossível não se apegar aos personagens. Funcionários, proprietários e clientes são peças frequentes e chaves para o desenvolvimento da história, e cada capítulo entrelaça e aprofunda mais a história de cada um.

Antes Que O Café Esfrie é uma obra-prima. Um livro sensível, intenso, que me tirou boas lágrimas e suspiros, além de me guiar a reflexões muito importantes sobre nosso tempo nessa vida e como escolhemos gastá-lo.

Afinal, o passado pode ser imutável, mas as vezes nós precisamos ser lembrados de que o futuro só depende de nós.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Then She Was Gone

“When I read a book it feels like real life and when I put the book down it’s like I go back into the dream.” ― Lisa Jewell, Then She Was Gone

Ano passado eu li um dos melhores suspenses da minha vida: The Night She Disappeared (2021) da autora Lisa Jewell. Depois daquela experiência arrebatadora eu enchi meu Kindle de livros da autora e finalmente tive a oportunidade de ler o primeiro.

Then She Was Gone (2017) não é nada como The Night She Disappeared… e não sei dizer se isso é bom ou ruim.

O livro conta a história da Ellie, uma adolescente de 15 anos que desaparece após sair de casa para estudar na biblioteca local. Mas o plot já vem nas primeiras páginas, quando antes de qualquer coisa já descobrimos que Ellie está morta. Assim, sem suspense, sem chance de final feliz: ela está morta.

Depois desse choque inicial eu passei a leitura toda pensando “meu Deus, se já sabemos isso, qual vai ser o plot da história?” e confesso que jamais esperaria pelo que a autora criou aqui. Ela mesma confessa nos agradecimentos finais que achou que a ideia pra esse livro era macabra demais, bizarra demais, e meus amigos… ELA É.

Não quero abrir muito da história, mas posso dizer inicialmente que o livro é separado em cinco partes, é narrado por quatro personagens diferentes, mas majoritariamente pela mãe da Ellie, Laurel Mack. O livro se passa 10 anos após o desaparecimento da Ellie, pouco depois de encontrarem seus restos mortais, e os capítulos narrados pela mesma são flashbacks.

Eu amei a Laurel como protagonista. Ela é determinada, madura, inteligente, não segue em nenhum momento o padrão de protagonista boba, inocente e fácil de enganar. Ela quer justiça pelo que aconteceu com a filha e vai fazer o que for necessário para descobrir a verdade. Da gosto de acompanhar.

Then She Was Gone é uma história de luto, superação, amor, mas pra mim é acima de tudo um retrato trágico de como uma pessoa perturbada pode acabar com a vida de dezenas de inocentes. Arrisco dizer que estou traumatizada e que não lerei outro suspense tão cedo!

Mas super recomendo, só se preparem para ficar com o estômago revirado e muita raiva.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | A Torre do Pântano dos Ossos

“Se morrermos por dentro antes mesmo de começar a lutar, não há como vencer a guerra” Paola Siviero

Não sei nem por onde começar…

A Torre do Pântano dos Ossos é a continuação de A Lenda da Caixa das Almas, livro da autora brasileira Paola Siviero lançado em agosto de 2024.

Após abrir a caixa das almas em uma tentativa frustrada de salvar a vida da mãe e acabar libertando Inna, o maior espectro de todos, Ulrik precisa encontrar uma forma de salvar a humanidade de seu fim iminente.

Os quatro amigos e protagonistas (Ulrik, Tora, Leona e Úrsula) acabam se separando para auxiliar grupos distintos com etapas da mesma missão: reconstruir a caixa das almas e encontrar uma forma de matar Inna.

Ulrik parte para as Ilhas do Fogo com a tarefa nada fácil de encontrar metal flamen e criar uma nova caixa das almas. Úrsula, por sua vez, viaja para as Montanhas do Norte, com a esperança de conseguir convencer os vísios a cederem sua gema de cíntilans (objeto mágico usado para enfraquecer Inna da primeira vez em que foi preso na caixa das almas) para ser usada na guerra.

Tora fica com a missão de viajar até a Cidade Real e convencer a rainha a ajudar os guerreiros na guerra contra os espectros e Leona, que ficou no acampamento para auxiliar os guerreiros que ficaram para trás, acaba presenciando um ataque brutal aos seus companheiros, onde muitos guerreiros foram mortos e os demais foram levados como prisioneiros. A partir desse momento ela toma como missão resgatar seus amigos da garra dos espectros.

O desenvolvimento de personagem criado pela autora nesse livro é de outro mundo. Ulrik, Tora, Leona e Úrsula ficam sem se ver por pouco mais de um ano e nesse período se tornam pessoas completamente diferentes, guerreiros muito mais poderosos e sábios do que qualquer um deles jamais imaginou possível.

A forma como cada capítulo é narrado por um personagem e vamos acompanhando lentamente a missão evoluir até todos chegarem no mesmo local é completamente fascinante e cativante. Quando os amigos se reencontram o coração fica mais leve, um peso é tirado das costas e esse sentimento é palpável para o leitor. Uma experiência sem igual.

Paola não tem dó nenhuma de machucar… quando ela postou stories chorando enquanto escrevia o livro eu já sabia que não passaria pelas 384 páginas sem derramar algumas lágrimas, mas não contava que seriam TANTAS. Estejam avisados!

A Torre do Pântano dos Ossos chega no seu fim com cerca de 59 plot twists, choro, susto, suspiros e um grande ‘O QUEEEE?’ no final. Que prazer ter feito parte dessa aventura com meus guerreiros favoritos. Mal posso esperar pelo terceiro e último livro da série, infelizmente ainda sem previsão de lançamento.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | A Garota no Trem

“Nunca entendi como as pessoas podem despreocupadamente ignorar os danos que causam seguindo seus corações. Quem disse que seguir o coração é uma coisa boa? É egoísmo puro.” ― Paula Hawkins, A Garota no Trem

Esse livro estava no fundo da gaveta do meu Kindle desde 2022 e acabei nunca lendo, até que três anos depois vi uma amiga recomendando e fiquei com a pulga atrás da orelha. Aliás, ele já estava ali mesmo.

E que surpresa boa! Depois que eu peguei o gosto por livros de suspense li muitos livros incríveis, mas também já me decepcionei com alguns plots MUITO previsíveis. Então quando tudo nesse livro desde o início indicava para um plot extremamente previsível eu já comecei a perder o ânimo, mas continuei porque precisava saber o final.

Eu não poderia estar mais enganada! Nunca em um milhão de anos eu teria adivinhado o plot final. Cada acontecimento do último ato foi me pegando mais e mais desprevenida e boquiaberta.

Mas vamos falar do enredo. A Garota no Trem (2015) conta a história da Rachel, uma mulher que viu seu mundo ruir após enfrentar dificuldades para engravidar, descobrir que estava sendo traída, passar por um divórcio difícil, virar álcoolatra e perder o emprego. Tem como piorar?

Rachel pega o trem da cidade onde mora até Londres todos os dias, no objetivo de convencer sua colega de quarto de que ela ainda está trabalhando. E é nessas viagens de trem que ela observa diariamente pela janela um jovem casal e sua rotina. Sempre muito amorosos, felizes…

Até que um dia tudo vira de cabeça pra baixo. A jovem que Rachel observava pela janela do trem desaparece, Rachel tem informações que coletou durante suas horas de observação que podem ajudar na investigação e começa a se envolver cada vez mais nessa grande bola de neve.

O livro é narrado majoritariamente por Rachel, com participações de outras duas mulheres muito relevantes para o enredo: Anna, ex-amante e nova esposa do ex-marido de Rachel, e Megan, a jovem desaparecida que Rachel observava pela janela do trem.

Não vou falar muito mais do que isso porque gosto que as pessoas se surpreendam tanto quanto eu com as histórias. Mas confiem em mim, se você gosta de suspense, não perca mais tempo, esse vale muito a pena!

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Uma livraria com aroma de canela (Dream Harbor #2)

“Maybe she hadn’t needed to change her life, maybe she’d just needed to change how she saw her life. How she saw herself.” ― Laurie Gilmore, Uma livraria com aroma de canela

Uma livraria com aroma de canela (2024), tradução criminosa do título original The Cinnamon Bun Book Store, é o segundo livro da coleção Dream Harbor.

Nele, acompanhamos a história da Hazel, uma jovem de 29 que trabalha na livraria Cinnamon Bun desde muito nova, além de ser muito reclusa e sempre preferir estar na companhia de um bom livro ao invés de sair e se aventurar.

Porém, com seu aniversário de 30 anos chegando, Hazel começa a ter uma crise existencial e repensar suas escolhas de vida. Nesse meio tempo recados misteriosos, pistas na verdade, começam a aparecer nos livros de romance da livraria onde ela trabalha. Mas quem poderia estar fazendo isso?

Tudo aponta para Noah, o pescador da cidade, que é completamente obscecado pela protagonista e se oferece prontamente a ajudar na investigação da origem dessas pistas.

Bem, vamos começar por um ponto muito importante: não faça uma capa outonal, com folhas caindo e com um título que 100% leva o público a imaginar que vão ler um romance outonal SE O LIVRO SE PASSA NO VERÃO.

Sim, Uma livraria com aroma de canela é um romance de verão. Hazel e Noah embarcam em um verão de aventuras juntos, desvendando as pistas misteriosas e vivendo todas as aventuras que a protagonista não viveu durante os seus 20 anos.

E por falar em romance de verão: EU NÃO AGUENTO MAIS LIVROS DE ROMANCE ONDE DOIS ADULTOS 100% FUNCIONAIS NÃO CONSEGUEM TER UM DIÁLOGO! Passei 96% do livro sofrendo em silêncio (e 4% em voz alta) porque simplesmente nenhum dos dois tinha a capacidade de expressar o que sentia, SENDO QUE O TEMPO TODO OS DOIS SENTIAM A MESMA COISA.

Não entra na minha cabeça que uma mulher inteligente, beirando os 30 anos, seja tão ingênua a ponto de não entender que o cara gosta dela e não ter coragem de falar pra ele o que ela sente. O Noah, mesmo sendo mais jovem, ainda era mais maduro que ela em muitos pontos e deu mais profundidade à história com todo o seu drama familiar.

Além de tudo isso ainda achei o romance como um todo extremamente adolescente, esse negócio de “romancede verão”, “romance com prazo de validade”, “nada sério, só um lance casual”... sem paciência. Até o hot perdia o encanto porque eles sempre usavam o sexo pra evitar conversar.

Dito isso, esse livro me decepcionou muito porque eu tinha gostado bastante do primeiro. Ficou faltando aquele sentimento de conforto, aquele abraço gostoso e a vontade que a gente fica de morar naquela cidade, ser amigo daquelas pessoas, que eu fiquei quando li o primeiro livro.

Vou esperar um pouco pra ler o próximo, mas estou ansiosa porque ouvi boatos de que o restante da coleção só melhora… veremos.

Nota: ⭐⭐

Resenha | O casamento da empregada

Começo essa resenha com uma pergunta simples: precisava?

Este conto se passa no longo intervalo entre O segredo da empregada e A empregada está de olho, segundo e terceiro livros da série, e pode ser lido após qualquer um dos dois.

Dito isso, eu entendo que os ‘fãs’ da trilogia A Empregada, assim como eu, ficaram frustrados ao descobrir que o terceiro livro se passava ANOS depois do segundo e que a Millie e o Enzo já tinham dois filhos crescidos, indo pra escola etc etc. EU ENTENDO. Porém, tenho certeza que nenhum de nós esperava por esse conto absolutamente meia boca de 94 páginas como uma “reparação” pelo tempo perdido.

Eu comecei o conto com expectativas altas, a Freida usou o macete de sempre de dar um pequeno spoiler de uma cena de ação na primeira página pra gerar curiosidade e até aí tudo bem, porém, ACABOU POR AÍ.

O conto é um grande nada com nada, literalmente apenas uma narração bem morna do dia do casamento da Millie e do Enzo, uma representação fofinha de como eles são lindos juntos (isso a gente já sabia né), e uma tentativa frustrada de adicionar um pouco de suspense em um momento que não precisava. Nossa menina não pode ter um dia de paz?

Enfim, achei morno, achei curto demais (Espetacular, o conto de Natal de Caraval tem 205 páginas… tava com preguiça dona Freida?), não soma nada na história e mal e porcamente cumpre o objetivo de “matar a saudade” dos personagens.

Se estiver lendo a trilogia A Empregada, pode pular esse aqui, ou leia também, é tão curto que nem faz diferença.

Nota: ⭐

Resenha | The Night Swim

“That’s the thing about mistakes. Not all of them can be fixed.” ― Megan Goldin, The Night Swim

Depois de ler The Night She Disappeared eu achei que levaria muito tempo até ler um suspense que chegasse a altura, mas não levou.

The Night Swim (2020) foi mais uma das muitas indicações incríveis que cruzei pelo Tiktok. Ele estava em uma lista dos cinco melhores livros de suspense de algum criador de conteúdo e 95% dos comentários eram sobre ele, então tive que conferir.

O livro conta a história da Rachel, uma jornalista que atingiu o auge da sua carreira após criar um podcast sobre um caso policial e acabar descobrindo que o homem culpado pelo crime era na verdade inocente. Nesse livro ela está começando a produzir a terceira temporada do podcast, que será focada em um julgamento que está acontecendo em tempo real em uma cidade do interior dos EUA.

O caso? Um jovem de 18 anos está sendo acusado de ter abusado sexualmente de uma adolescente de 16 anos. E é claro que esse não é qualquer jovem, mas sim um nadador famoso, com uma carreira de sucesso e chances para competir nas Olímpiadas, além de, é claro, ser filho de um dos homens mais poderosos da cidade. Dito isso, a população da cidadezinha está dividida e alvoroçada com o julgamento.

Ao chegar na cidade para começar a acompanhar o julgamento, Rachel é misteriosamente abordada por uma fã que deixa uma carta no parabrisas do seu carro. Uma mulher chamada Hannah implora pela ajuda da jornalista para solucionar um crime que aconteceu na cidade há 25 anos e nunca foi investigado.

Entre um julgamento e a produção de um podcast, Rachel acaba cedendo aos seus instintos de jornalista investigativa e começa a descobrir mais e mais detalhes sobre a história de Hannah e sua irmã Jenny Stills, que de acordo com a polícia morreu afogada há mais de duas décadas… mesmo que nenhum fato corrobore com essa conclusão.

O livro é dividido entre três narrativas:

1. O dia-a-dia de Rachel na cidade, acompanhando o julgamento e investigando o caso Jenny Stills;

2. Decupagens dos episódios do podcast, que se aprofundam mais no julgamento;

e 3. As cartas que Hannha Stills envia para Rachel contando o que aconteceu com sua irmã há 25 anos. As cartas são em primeira pessoa e extremamente imersivas. Nos mostram a forma como uma criança de apenas 9 anos vivenceu uma das experiências mais traumatizantes que alguém poderia viver.

Confesso que a terceira narrativa foi a que mais me prendeu e me cativou. Tentar descobrir quem são os jovens de 25 anos atrás nos dias atuais, que papel cada um exerce na sociedade atual, se são policiais, médicos, advogados ou até mesmo o juiz… é enlouquecedor.

The Night Swim é um livro incrível, com altos e baixos, plots muito bem desenvolvidos e personagens cativantes. A história termina com ambos os casos muito bem amarradinhos e concluídos, mas é inevitável não ficar com um gosto amargo na boca, porque afinal, Jane Stills está morta e não há nada que possamos fazer a respeito disso…

Nota: ⭐⭐⭐