Resenha | O Fabricante de Lágrimas

“Talvez o nosso maior medo seja aceitar que alguém possa nos amar sinceramente pelo que somos.” Erin Doom, O Fabricante de Lágrimas

Sinopse: “Nica cresceu em um orfanato e os contos de fada eram seu único conforto em meio aos terrores reais que assombravam os corredores da instituição. Agora que é adolescente, escolheu deixar as fantasias infantis para trás e focar no seu sonho de ser adotada. Mas, quando o sr. e a sra. Milligan adotam Nica, para a surpresa dela, também decidem acolher Rigel, um misterioso e inteligente garoto que nunca se deixou ser adotado… até agora. E, apesar de ambos compartilharem o mesmo passado, a convivência não será nada fácil ― ainda mais porque Rigel aproveita qualquer oportunidade para relembrá-la do quanto a despreza.”

Em abril de 2024 a Netflix lançou o filme O Fabricante de Lágrimas, baseado no best-seller italiano da autora Erin Doom, publicado em 2021. Assim que ouvi falar sobre o filme e descobri que ele era baseado em um livro eu decidi que precisava lê-lo. Isso já virou algo rotineiro pra mim, ler livros que foram adaptados, mas nunca assistir as adaptações (depois de ler as críticas sempre perco o interesse).

Embarquei na leitura das 560 páginas de O Fabricante de Lágrimas sem saber muito sobre a história. Sabia que se tratava de um casal de adolescentes órfãos que eram adotados pela mesma família e acabavam se apaixonando. Ponto final.

Logo de cara achei a leitura um pouco arrastada, já que o romance em si demora BASTANTE pra acontecer, porém, conforme fui avançando na história e conhecendo mais profundamente os personagens entendi a importância da demora, da paciência e do aprofundamento detalhado da relação entre Rigel e Nica.

Eu descobri que muitas pessoas assistiram o filme e saíram com a impressão de que o relacionamento era tóxico e bizarro, sem entender a real profundidade dos sentimentos dos personagens ou como a situação em que eles se encontravam (se tornarem ‘irmãos’ de uma hora pra outra) não tinha como afetar o sentimento que eles desenvolveram um pelo outro desde a infância.

Confesso que a história demorou pra me cativar, a personalidade tóxica do Rigel unido com o jeito doce, ingênuo e inocente da Nica me fez revirar os olhos diversas vezes, mas valeu a pena seguir com a leitura. Conforme vai avançando nós finalmente começamos a entender de verdade a essência dos personagens e o que eles significam um para o outro.

Se você gosta de romances fofos, realmente românticos, em que há sentimentos correspondidos e principalmente COMUNICAÇÃO entre os personagens: ESSE LIVRO NÃO É PRA VOCÊ. Mas se você gosta de um enemies to lovers, de um slow burn beeeeem demorado e de histórias dramáticas e profundas, vale a pena a leitura.

Como já foi dito, esse não é um livro que eu indicaria pra qualquer pessoa, então vale a pena dar uma googlada antes de embarcar na leitura. Mas se você gostar, garanto que não vai se arrepender! Eu devorei o livro em dias, não conseguia dormir, comer, só pensava em Rigel e Nica 24/7… ele foi como uma droga do início ao fim (não sei nem dizer se no bom ou no mau sentido).

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Melhor do que nos filmes

“Minha herança foi saber que o amor está sempre no ar, é sempre uma possibilidade e sempre vale a pena.” ―  Lynn Painter, Melhor do que nos filmes

Depois de uma jornada intensa lendo Fourth Wing, resolvi ler um romance pra espairecer e escolhi Melhor do que nos filmes, que eu já tinha visto algumas pessoas recomendando nas redes sociais.

E meus amigos, que livro FOFO! Levei um tempo pra me cativar pela história, já que saí de um livro super complexo e caí de paraquedas em um romance de adolescentes no ensino médio, cheio daqueles dramas típicos que estamos acostumados. Mas depois que engatei, devorei a história como se minha vida dependesse disso.

O livro conta a história da Elizabeth Buxbaum (mais conhecida como Liz), uma adolescente que perdeu a mãe quando era muito jovem e desde então tornou-se uma verdadeira fanática por filmes de comédia romântica, algo que herdou da mãe, com quem os assistia quando era criança.

Ela é diferente da maioria das garotas da sua idade (afinal, ela é a protagonista, né?), usa vestidos floridos, sapatos de boneca e seu ideal de diversão é passar as noites sozinha, comendo pipoca e assistindo seus preciosos filmes. Além disso, é uma romântica incorrigível que acredita que algum dia irá encontrar o “cara ideal” e ser feliz para sempre.

E esse cara ideal com certeza não é seu vizinho. O terrível, mas absurdamente lindo Wesley Bennett, que mora na casa ao lado de Liz desde que os dois eram crianças e dedicou boa parte da sua vida em tornar a de Liz miserável, podia ser amado e querido por todos a sua volta, mas com certeza não por Liz (como alguém viciado em comédia romântica não percebeu pra onde isso aqui estava indo?).

Quando Michael Young, um amigo de infância de Wes e Liz, volta para a cidade depois de anos morando no Texas, a protagonista vê seu retorno como um sinal, já que o garoto foi seu primeiro amor e se encaixava perfeitamente no papel de “cara ideal” que ela construiu com o passar dos anos.

Porém, Michael continua vendo Liz como a criança que brincava de pique-esconde com ele anos atrás e não como uma jovem atraente e possível par romântico. É aí que entra nosso enredo principal. Liz decide pedir ajuda a Wes para conquistar Michael e convencê-lo a convidá-la para o baile de formatura.

E é aí que a diversão começa! Melhor do que nos filmes nos presenteia com um enemies to lovers unilateral maravilhoso, já que a gente sabe que o menino que irrita a menina na verdade nunca odiou ela de verdade, né? E ao mesmo tempo nos cativa com momentos profundos em família, aborda de uma forma muito delicada a questão do luto e de como ele muda a vida das pessoas, além de explorar a amizade e a mentalidade adolescente em sua forma mais pura, com todo o caos, a incerteza e é claro, os hormônios.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | A pequena padaria do Brooklyn

“Ser corajoso é reconhecer seus limites e se arriscar mesmo assim” – Julie Caplin ( pequena padaria do Brooklyn)

Após cair de amores pelo primeiro livro da série Destinos Românticos: O Pequeno Café de Copenhague, corri de braços abertos para o livro dois: A Pequena Padaria do Brooklyn, protagonizado pela nossa já conhecida Sophie Benning, uma jornalista inglesa especializada em culinária.

Essa história se passa após O Pequeno Café de Copenhague e nos mostra uma Sophie de coração partido após descobrir que foi enganada por anos pelo namorado e que decide agarrar com unhas e dentes a oportunidade de fazer um intercâmbio de trabalho por seis meses em Nova York.

Ela chega nos Estados Unidos sem rumo algum, sem saber quem é, o que gosta ou o quer, exatamente da forma como todos se sentem após terminar um relacionamento longo e que supostamente iria durar ‘para sempre’. Mas isso começa a mudar quando ela conhece Bella, a locatária do seu apartamento e dona de uma padaria cheia de charme no mesmo prédio.

Bella também acontece de ser prima de um dos colegas de trabalho de Sophie, o garanhão, colírio para os olhos, homem mais popular de NYC, também conhecido como Todd. Desde que Sophie e Todd se conhecem algo é deixado muito claro: ELA NÃO DEVE (NÃO PODE!) SE APAIXONAR POR ELE! Um tipo bem clássico de romance que eu A-M-O, a trupe da menina diferente de todas as outras que pode consertar todos os traumas do mocinho.

Com o passar dos meses os dois acabam virando amigos, Todd se disponibiliza a mostrar a cidade pra Sophie, os dois ajudam Bella com frequência na padaria, Sophie vira a dupla de lei de Todd em todos os eventos sociais de trabalho, etc etc. Tudo como amigos…

Até que um dia isso muda. Um pequeno gesto vira o mundo dos dois de ponta cabeça e ambos se encontram enfrentando dilemas, traumas, medos e precisam de muita coragem pra superar suas diferenças.

Esse é um livro leve, mas ao mesmo tempo cheio de gatilhos quando se trata de relacionamentos e principalmente pessoas dramáticas haha por muitas vezes eu quis pegar o Todd pelos ombros e esbofetear o bom senso pra fora dele, mas infelizmente não era uma possibilidade.

Assim como o primeiro livro da série, esse te faz mergulhar de cabeça no destino escolhido, Nova York, o Brooklyn. Te faz viajar com as descrições precisas dos aromas, os detalhes da padaria e das noites em claro de Bella e Sophie fazendo bolinhos. É um livro encantador, mágico até.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Resenha | O Pequeno Café de Copenhague

“O bom dos erros é que você pode consertá-los.” – Julie Caplin (O pequeno café de Copenhague)

Após perder a promoção que tanto almejava para um colega de trabalho, que era também seu atual ‘namorado’, Kate recebe a oportunidade de atender um cliente da Dinamarca que está abrindo uma loja em Londres.

Ao fisgar o cliente, a nossa Relações Públicas favorita precisa viajar com um grupo de seis jornalistas para a capital da Dinamarca, Copenhague, como parte do plano de marketing do cliente. E essa viagem acaba se tornando muito mais do que apenas negócios!

Preciso começar falando como amei o fato de o livro abordar profissões da minha área (sou jornalista por formação), porque esse detalhe permitiu que eu me conectasse muito mais com a rotina de trabalho e os dilemas profissionais.

Mas fora esse pequeno detalhe, particular meu, o que esse livro mais tem são pontos positivos.

É um romance leve, gostoso, que migra de uma rotina competitiva de trabalho na cidade grande para uma viagem cheia de descobertas e turismo e ainda mistura tudo isso, obviamente, com romance na medida certa.

O romance aqui é o meu tipo preferido. É um enemys to lovers leve, que evolui de uma forma natural e não se arrasta por metade do livro. O casal tem seus problemas, mas trabalham nos seus sentimentos e resolvem os conflitos, não ficam se lamentando e trazendo mais drama do que o necessário para situações que podem tranquilamente ser resolvidas. ELES RESOLVEM! A protagonista também tem seus dramas internos, mas eles só são apresentados para que a gente possa vê-la os superando.

Eu não tenho palavras pra descrever como amei o elenco secundário, principalmente os seis jornalistas e Eva, a dona do café de Copenhague que se tornou uma personagem tão importante na história. Esse livro é cheio de personalidade, personagens cativantes, ele te dá um quentinho na alma e te deixa com aquela vontade de viajar, fazer amigos e tomar uma xícara de café.

Eu li o livro de 352 páginas em 2 dias e sinceramente não tenho nenhum apontamento negativo. Ele se tornou com muita tranquilidade a minha leitura favorita de 2023 até o momento.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | O Amor e Outras Coisas

“Nunca me ocorreu que o amor pudesse ser qualquer coisas que não transbordante, arrebatador. Ainda na infânfica, já sabia que não me contentaria com ter nada menos do que isso.” – Amor e Outras Coisas (Christina Lauren)

Vamos falar do livro que rapidamente se tornou um dos meus favoritos de todos os tempos. O Amor e Outras Coisas é um romance pra quem gosta de um slow burn de qualidade e do clássico friends to lovers, to strangers, back to lovers. Nessa introdução eu arrisco dizer que a história dos nossos protagonistas me lembrou demais a do casal Lilly e Atlas de É Assim Que Acaba (mas as semelhanças param por aí, juro).

Em O Amor e Outras Coisas acompanhamos a vida de Macy Sorensen, desde de seus 13 anos até os seus 28. Os capítulos se intercalam entre passado e presente de uma forma muito clara e que sempre te deixa querendo saber o que vai acontecer em seguida, te fazendo devorar um capítulo após o outro. Eu li suas 396 páginas em menos de 24 horas.

Macy e seu pai compram uma casa de férias no interior da Califórnia após a morte de sua mãe (que era brasileira, o que é bem legal), onde os dois começam a passar seus fins de semana, feriados e verões.

E é nessa casa de férias que Macy conhece Elliot e o resto é história (brincadeira haha). Macy e Elliot constroem uma relação linda de amizade, confiança e amor durante 5 anos, até que algo terrível acontece e eles ficam sem se falar ou ter notícias um do outro por longos 11 anos.

Achei essa frase perfeita para a história desse livro (Foto: Fernanda Tomás)

O bacana nesse livro é que a gente sabe quando a tragédia vai acontecer e todos os capítulos contam com a data no seu título, ou seja, a ansiedade para chegarmos no fatídico dia 31 de dezembro só aumenta conforme os protagonistas trazem o assunto a tona no presente.

O romance de Macy e Elliot é um dos mais gostosos, puros e bonitos que eu já vi em um livro. É realmente coisa de almas gêmeas e você consegue sentir isso. Consegue sentir a dor e entender mais do que bem os motivos que os mantiveram afastados por tanto tempo.

Só vou dizer uma coisa pra vocês: eu nunca chorei tanto em toda a minha vida lendo um livro. Chorei de dor, chorei de soluçar, chorei incontrolavelmente enquanto eles choravam. A espera pelo dia 31 de dezembro valeu a pena e o grande momento veio como um soco no estômago.

Por mais que o livro seja um slow burn, no presente as coisas se desenrolam de uma forma muito espontânea e rápida na maioria das vezes, sem ex namorados como Ryle (É Assim Que Acaba) ou drama desnecessário dos protagonistas. Todo drama aqui é aceitável e necessário.

O livro é perfeito. Recomendo de olhos fechados.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐