Resenha | A Garota no Trem

“Nunca entendi como as pessoas podem despreocupadamente ignorar os danos que causam seguindo seus corações. Quem disse que seguir o coração é uma coisa boa? É egoísmo puro.” ― Paula Hawkins, A Garota no Trem

Esse livro estava no fundo da gaveta do meu Kindle desde 2022 e acabei nunca lendo, até que três anos depois vi uma amiga recomendando e fiquei com a pulga atrás da orelha. Aliás, ele já estava ali mesmo.

E que surpresa boa! Depois que eu peguei o gosto por livros de suspense li muitos livros incríveis, mas também já me decepcionei com alguns plots MUITO previsíveis. Então quando tudo nesse livro desde o início indicava para um plot extremamente previsível eu já comecei a perder o ânimo, mas continuei porque precisava saber o final.

Eu não poderia estar mais enganada! Nunca em um milhão de anos eu teria adivinhado o plot final. Cada acontecimento do último ato foi me pegando mais e mais desprevenida e boquiaberta.

Mas vamos falar do enredo. A Garota no Trem (2015) conta a história da Rachel, uma mulher que viu seu mundo ruir após enfrentar dificuldades para engravidar, descobrir que estava sendo traída, passar por um divórcio difícil, virar álcoolatra e perder o emprego. Tem como piorar?

Rachel pega o trem da cidade onde mora até Londres todos os dias, no objetivo de convencer sua colega de quarto de que ela ainda está trabalhando. E é nessas viagens de trem que ela observa diariamente pela janela um jovem casal e sua rotina. Sempre muito amorosos, felizes…

Até que um dia tudo vira de cabeça pra baixo. A jovem que Rachel observava pela janela do trem desaparece, Rachel tem informações que coletou durante suas horas de observação que podem ajudar na investigação e começa a se envolver cada vez mais nessa grande bola de neve.

O livro é narrado majoritariamente por Rachel, com participações de outras duas mulheres muito relevantes para o enredo: Anna, ex-amante e nova esposa do ex-marido de Rachel, e Megan, a jovem desaparecida que Rachel observava pela janela do trem.

Não vou falar muito mais do que isso porque gosto que as pessoas se surpreendam tanto quanto eu com as histórias. Mas confiem em mim, se você gosta de suspense, não perca mais tempo, esse vale muito a pena!

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | O casamento da empregada

Começo essa resenha com uma pergunta simples: precisava?

Este conto se passa no longo intervalo entre O segredo da empregada e A empregada está de olho, segundo e terceiro livros da série, e pode ser lido após qualquer um dos dois.

Dito isso, eu entendo que os ‘fãs’ da trilogia A Empregada, assim como eu, ficaram frustrados ao descobrir que o terceiro livro se passava ANOS depois do segundo e que a Millie e o Enzo já tinham dois filhos crescidos, indo pra escola etc etc. EU ENTENDO. Porém, tenho certeza que nenhum de nós esperava por esse conto absolutamente meia boca de 94 páginas como uma “reparação” pelo tempo perdido.

Eu comecei o conto com expectativas altas, a Freida usou o macete de sempre de dar um pequeno spoiler de uma cena de ação na primeira página pra gerar curiosidade e até aí tudo bem, porém, ACABOU POR AÍ.

O conto é um grande nada com nada, literalmente apenas uma narração bem morna do dia do casamento da Millie e do Enzo, uma representação fofinha de como eles são lindos juntos (isso a gente já sabia né), e uma tentativa frustrada de adicionar um pouco de suspense em um momento que não precisava. Nossa menina não pode ter um dia de paz?

Enfim, achei morno, achei curto demais (Espetacular, o conto de Natal de Caraval tem 205 páginas… tava com preguiça dona Freida?), não soma nada na história e mal e porcamente cumpre o objetivo de “matar a saudade” dos personagens.

Se estiver lendo a trilogia A Empregada, pode pular esse aqui, ou leia também, é tão curto que nem faz diferença.

Nota: ⭐

Resenha | The Night Swim

“That’s the thing about mistakes. Not all of them can be fixed.” ― Megan Goldin, The Night Swim

Depois de ler The Night She Disappeared eu achei que levaria muito tempo até ler um suspense que chegasse a altura, mas não levou.

The Night Swim (2020) foi mais uma das muitas indicações incríveis que cruzei pelo Tiktok. Ele estava em uma lista dos cinco melhores livros de suspense de algum criador de conteúdo e 95% dos comentários eram sobre ele, então tive que conferir.

O livro conta a história da Rachel, uma jornalista que atingiu o auge da sua carreira após criar um podcast sobre um caso policial e acabar descobrindo que o homem culpado pelo crime era na verdade inocente. Nesse livro ela está começando a produzir a terceira temporada do podcast, que será focada em um julgamento que está acontecendo em tempo real em uma cidade do interior dos EUA.

O caso? Um jovem de 18 anos está sendo acusado de ter abusado sexualmente de uma adolescente de 16 anos. E é claro que esse não é qualquer jovem, mas sim um nadador famoso, com uma carreira de sucesso e chances para competir nas Olímpiadas, além de, é claro, ser filho de um dos homens mais poderosos da cidade. Dito isso, a população da cidadezinha está dividida e alvoroçada com o julgamento.

Ao chegar na cidade para começar a acompanhar o julgamento, Rachel é misteriosamente abordada por uma fã que deixa uma carta no parabrisas do seu carro. Uma mulher chamada Hannah implora pela ajuda da jornalista para solucionar um crime que aconteceu na cidade há 25 anos e nunca foi investigado.

Entre um julgamento e a produção de um podcast, Rachel acaba cedendo aos seus instintos de jornalista investigativa e começa a descobrir mais e mais detalhes sobre a história de Hannah e sua irmã Jenny Stills, que de acordo com a polícia morreu afogada há mais de duas décadas… mesmo que nenhum fato corrobore com essa conclusão.

O livro é dividido entre três narrativas:

1. O dia-a-dia de Rachel na cidade, acompanhando o julgamento e investigando o caso Jenny Stills;

2. Decupagens dos episódios do podcast, que se aprofundam mais no julgamento;

e 3. As cartas que Hannha Stills envia para Rachel contando o que aconteceu com sua irmã há 25 anos. As cartas são em primeira pessoa e extremamente imersivas. Nos mostram a forma como uma criança de apenas 9 anos vivenceu uma das experiências mais traumatizantes que alguém poderia viver.

Confesso que a terceira narrativa foi a que mais me prendeu e me cativou. Tentar descobrir quem são os jovens de 25 anos atrás nos dias atuais, que papel cada um exerce na sociedade atual, se são policiais, médicos, advogados ou até mesmo o juiz… é enlouquecedor.

The Night Swim é um livro incrível, com altos e baixos, plots muito bem desenvolvidos e personagens cativantes. A história termina com ambos os casos muito bem amarradinhos e concluídos, mas é inevitável não ficar com um gosto amargo na boca, porque afinal, Jane Stills está morta e não há nada que possamos fazer a respeito disso…

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | A Noite em que ela Desapareceu

“É mais fácil lidar com as pessoas se elas te subestimam.” [People are easier to deal with if they underestimate you.] ― Lisa Jewell, A Noite em que ela Desapareceu

Um minuto de silêncio: EU ACABEI DE LER O SUSPENSE DA MINHA VIDA!

A Noite em que ela Desapareceu (The Night She Disappeared) conta a história do desaparecimento de um casal de jovens no interior da Inglaterra. Tallulah e Zach tem 19 anos, namoram desde a infância e acabaram de ter um bebê juntos, o pequeno Noah. Eles moram com a mãe e o irmão de Tallulah, Kim e Ryan.

Tudo corre bem ― aparentemente, é claro ― até que em uma noite de verão Tallulah e Zach desaparecem após comparecer a uma festa na piscina da mansão da família Jacques, a convite de Scarlett, uma colega de faculdade de Tallulah.

O livro tem 416 páginas e é dividido em partes e em narrativas diferentes, o que confesso que foi minha parte preferida porque conecta os pontos de forma genial! Começamos em junho de 2017, na noite do desaparecimento, narrada pelo ponto de vista de Kim, a mãe da jovem desaperecida.

Depois passamos para agosto de 2018, a parte do livro contada pela perspectiva de Sophie, uma escritora de livros de investigação que se muda para a cidade onde o desaparecimento aconteceu (aqui o ocorrido já completou 1 ano). Sophie é a namorada do novo diretor de uma escola particular da região e acabou deixando sua vida agitada em Londres para se mudar com o namorado. No início ela pode parecer uma peça aleatória no quebra-cabeças, mas ela é fundamental para a investigação dos desaparecimentos, já que todos os envolvidos no caso estudavam ou moravam na escola onde seu namorado trabalha e ela é MUITO curiosa!

E por último tempos a narrativa da própria Tallulah, que começa em 2016, quando ela ainda não havia reatado seu relacionamento com Zach (eles ficaram separados por um tempo) e conheceu Scarlett.

Com essas três narrativas avançando paralelamente nós conseguimos começar a costurar a grande rede que é A Noite em que ela Desapareceu. Com o avançar da leitura a linha do tempo da Kim alcança a da Sophie em 2018, enquanto as duas mulheres se unem para auxiliar na investigação, e a narrativa da Tallulah finalmente chega na noite do desaparecimento e as coisas vão ficando CADA VEZ MELHORES!

Ainda temos um quarto ponto de vista no epílogo que responde as últimas perguntas, liga os últimos pontos e nos deixa de queixo caído. Esse livro é uma obra prima do início ao fim.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | A Paciente Silenciosa

“Escolher um amante é muito parecido com escolher um terapeuta. Precisamos nos perguntar, é alguém que vai ser honesto comigo, ouvir críticas, admitir erros e não prometer o impossível?” ― Alex Michaelides, A Paciente Silenciosa

A Paciente Silenciosa conta a história de Alicia Berenson, uma pintora renomada que em uma noite qualquer atirou cinco vezes no rosto do marido e desde então nunca mais falou.

Devido ao seu histórico psiquiátrico e ao silêncio duradouro, ao invés de ser presa Alicia é institucionalizada em uma clínica psiquiátrica.

O livro é dividido em duas narrativas. A primeira são páginas do diário de Alicia, onde temos breves vislumbres de sua vida antes do crime e começamos a coletar peças para montar o quebra-cabeças que é essa história. Já a segunda é a do psicoterapeuta Theo Faber, que esperou anos para poder trabalhar no caso de Alicia e acredita que apenas ele é capaz de fazê-la voltar a falar.

Theo consegue um emprego no Grove, a clínica onde Alicia está internada, e deixa claro desde o seu primeiro dia que seu objetivo é tratar a pintora e descobrir a verdade por trás de seu silêncio e o que motivou tamanha brutalidade.

Eu consigo entender por que esse livro teve críticas tão positivas. Ele é envolvente, cada capítulo te deixa mais curioso pra saber o desenrolar da história, o plot twist no final é realmente muito criativo, mas eu esperava mais…

Primeiramente acho importante ressaltar que eu cheguei em 65% da leitura avaliando a experiência como “mediana”. Livros de suspense geralmente me deixam intrigada, ligada na tomada, com vontade de ler o tempo todo pra decifrar os mistérios, mas aqui isso não aconteceu. Demorei um tempo relativamente longo nessa leitura ― mais de uma semana ― contando com o fato de que eu geralmente leio suspenses em 3 dias NO MÁXIMO, esse é um ponto bem negativo.

E quando a coisa finalmente começou a ficar interessante ― ali pelos 75% ― eu já tinha adivinhado tudo que ia acontecer em seguida. Eu sou péssima em adivinhar o final de séries, filmes e livros, então o fato de que um capítulo inteiro antes da grande revelação eu já sabia EXATAMENTE o que ia acontecer a seguir foi bem desanimador.

Mas eu também não quero ser hipócrita, porque mesmo tendo acertado o plot na mosca eu achei superinteligente! Quando eu percebi o que estava rolando meu queixo caiu lá no chão e foi difícil pegar de volta.

A Paciente Silenciosa está longe de ser um livro ruim, mas também está longe de ser um dos melhores suspenses que eu já li (e olha que eu nem li tantos). Eu esperava mais do enredo, do mistério, do suspense, da investigação, até dos personagens em si e de suas motivações. Acho que isso resume bem minha experiência aqui: eu esperava mais.

Nota: ⭐⭐⭐ ¹/²