Resenha | A Paciente Silenciosa

“Escolher um amante é muito parecido com escolher um terapeuta. Precisamos nos perguntar, é alguém que vai ser honesto comigo, ouvir críticas, admitir erros e não prometer o impossível?” ― Alex Michaelides, A Paciente Silenciosa

A Paciente Silenciosa conta a história de Alicia Berenson, uma pintora renomada que em uma noite qualquer atirou cinco vezes no rosto do marido e desde então nunca mais falou.

Devido ao seu histórico psiquiátrico e ao silêncio duradouro, ao invés de ser presa Alicia é institucionalizada em uma clínica psiquiátrica.

O livro é dividido em duas narrativas. A primeira são páginas do diário de Alicia, onde temos breves vislumbres de sua vida antes do crime e começamos a coletar peças para montar o quebra-cabeças que é essa história. Já a segunda é a do psicoterapeuta Theo Faber, que esperou anos para poder trabalhar no caso de Alicia e acredita que apenas ele é capaz de fazê-la voltar a falar.

Theo consegue um emprego no Grove, a clínica onde Alicia está internada, e deixa claro desde o seu primeiro dia que seu objetivo é tratar a pintora e descobrir a verdade por trás de seu silêncio e o que motivou tamanha brutalidade.

Eu consigo entender por que esse livro teve críticas tão positivas. Ele é envolvente, cada capítulo te deixa mais curioso pra saber o desenrolar da história, o plot twist no final é realmente muito criativo, mas eu esperava mais…

Primeiramente acho importante ressaltar que eu cheguei em 65% da leitura avaliando a experiência como “mediana”. Livros de suspense geralmente me deixam intrigada, ligada na tomada, com vontade de ler o tempo todo pra decifrar os mistérios, mas aqui isso não aconteceu. Demorei um tempo relativamente longo nessa leitura ― mais de uma semana ― contando com o fato de que eu geralmente leio suspenses em 3 dias NO MÁXIMO, esse é um ponto bem negativo.

E quando a coisa finalmente começou a ficar interessante ― ali pelos 75% ― eu já tinha adivinhado tudo que ia acontecer em seguida. Eu sou péssima em adivinhar o final de séries, filmes e livros, então o fato de que um capítulo inteiro antes da grande revelação eu já sabia EXATAMENTE o que ia acontecer a seguir foi bem desanimador.

Mas eu também não quero ser hipócrita, porque mesmo tendo acertado o plot na mosca eu achei superinteligente! Quando eu percebi o que estava rolando meu queixo caiu lá no chão e foi difícil pegar de volta.

A Paciente Silenciosa está longe de ser um livro ruim, mas também está longe de ser um dos melhores suspenses que eu já li (e olha que eu nem li tantos). Eu esperava mais do enredo, do mistério, do suspense, da investigação, até dos personagens em si e de suas motivações. Acho que isso resume bem minha experiência aqui: eu esperava mais.

Nota: ⭐⭐⭐ ¹/²

Resenha | Amor e Gelato

“Eu vou, porque é mais assustador não ir!” Jenna Evans Welch, Amor & Gelato

Escolhi essa frase porque aqui a mãe da Lina resumiu com clareza meu sentimento atual em processo de mudança pra Europa… nada que eu mesma escrevesse descreveria tão bem o sentimento.

Se você tem redes sociais e é um leitor assíduo com certeza já ouviu falar de Amor & Gelato, um livro de romance adolescente publicado em 2016 que foi (muito porcamente, diga-se de passagem) adaptado pela Netflix em 2022.

O livro conta a história da Lina, uma adolescente que acabou de perder a mãe para o câncer e se encontra em uma situação bem inusitada: ela precisa se mudar para a Itália para morar com um completo desconhecido porque esse foi o último desejo de sua mãe.

O que acontece é que a mãe de Lina havia passado algum tempo em Florença, na Itália, durante sua juventude e ela queria muito que a filha morasse onde ela morou e vivesse com um de seus melhores amigos e ex-namorado da época. Um homem que mais tarde, por intermédio da avó, Lina descobre ser ninguém mais ninguém menos do que o pai que ela nunca conheceu!

A jovem embarca nessa aventura com o coração partido pela perda da mãe e muitas perguntas. Quem era Howard, o homem misterioso? Por que sua mãe nunca havia lhe contado que morou na Itália? Por que ela escondeu que Howard era seu pai? Quem realmente era sua mãe e por que ela criou a filha cercada por mentiras e mistérios?

Ao chegar na Itália a jovem descobre que sua mãe deixou um de seus diários para a filha, o diário que ela mantinha na época em que morou ali, e que possivelmente vai ajudá-la a encontrar as respostas para tantas perguntas.

MAS E O ROMANCE? Em seu primeiro dia na nova realidade, ao correr pelas belíssimas colinas dos vinhedos italianos, Lina conhece Lorenzo (Ren!!!), um jovem italiano que mora próximo da sua casa e vira seu melhor amigo quase que imediatamente. E é ao lado dele que a nossa protagonista embarca em uma intensa jornada para descobrir a verdade sobre o passado e decidir o que será de seu futuro.

Temos um friends to lovers no clássico estilo adolescente: poderia ser fácil, mas adolescentes não sabem se comunicar e transformam tudo em um grande show de horrores! Mas é lindo ver a amizade deles evoluir e se transformar em amor. Eles são fofos demais e shippaveis do início ao fim.

Dito isso, Amor & Gelato é um livro que aborda temáticas intensas, mas mesmo assim consegue ser uma leitura muito leve e gostosa, que te faz viajar para a Itália e refletir sobre todas as decisões que você já tomou na vida!

⚠️ ATENÇÃO: Se você está lendo essa resenha antes de ver a BOMBA que é o filme, por favor, não assista o filme porque ele não tem absolutamente nada a ver com o livro. A Netflix conseguiu transformar algo fofo e cheio de significado em um triângulo amoroso bobo e sem sentido.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Lendário (Trilogia Caraval, vol. 2)

“Era por isso que o amor era tão perigoso. O amor transformava o mundo em um jardim, tão atraente que era fácil se esquecer de que pétalas de rosas eram tão efêmeras quanto sentimentos, que após algum tempo elas iriam murchar e morrer, não deixando nada além de espinhos.” Stephanie Garber, Lendário

Após o mundo das irmãs Dragna ser virado de cabeça pra baixo no primeiro livro da trilogia Caraval, em sua continuação direta embarcamos em uma aventura ainda mais perigosa e sombria. [ATENÇÃO: essa resenha contém spoilers de Caraval! Resenha disponível aqui]

O Caraval nunca acontece duas vezes seguidas em um curto período de tempo, mas se há um bom motivo para abrir uma exceção, com certeza é o aniversário da Imperatriz do Império Meridiano.

Scarlett e Donatella Dragna embarcam com os atores de Lenda para Valenda, capital do Império Meridiano, para o seu segundo Caraval. Scarlett está decidida a ficar de fora do jogo dessa vez, visto que ainda nem se recuperara de sua recente vitória e do trauma de ver sua irmã morrer diante dos seus olhos , porém sua irmã caçula não pôde se dar ao luxo de tal escolha já que dependia da vitória no jogo para alcançar um prêmio maior que todos os outros: encontrar sua mãe.

Diferente de Caraval, Lendário é narrado por Donatella Dragna em sua jornada para encontrar a mãe Paloma Dragna que desapareceu quando as filhas eram crianças.

Ainda no primeiro livro descobrimos que Donatella estava se correspondendo com um homem de Valenda que teria encontrado sua mãe, mas essa informação vinha com um preço: a verdadeira identidade de Lenda!

Entre muitas mentiras, segredos, revelações, pactos e SANGUE (muito sangue), o Caraval acaba extrapolando as linhas da imaginação e se tornando mais real do que o esperado. Donatella se encontra literalmente entre a cruz e a espada, em um jogo de vida ou morte.

Confesso que demorei pra engatar no estilo de narrativa da personagem principalmente pelo fato de que terminei Caraval com um certo ranço da Donatella porém, com o decorrer dos capítulos a gente começa a entender o lado dela da história e quanto mais conhecemos suas qualidades e defeitos, mais a amamos.

Ansiosa para o último livro da trilogia, porém resolvi dar uma pausa antes de encerrar a história pra não rolar uma ressaca literária!

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Caraval (Trilogia Caraval, vol. 1)

“– Acho que cometi um erro.
– Então, transforme-o em algo melhor.” Stephanie Garber, Caraval

Caraval é um livro mágico. Um dos livros mais mágico que eu já li na minha vida. Pense alto, em sonhos engarrafados, relógios que congelam o tempo, vestidos que trocam de cor e de formato conforme seu humor, castelos que brilham no escuro. Esse tipo de mágia!

Embarquei na leitura do primeiro livro da trilogia sem saber nada sobre a história (assim como eu faço com a maioria dos livros) e me surpreendi demais ao descobrir um mundo de fantasia muito diferente de tudo que eu já li. Uma fantasia que não precisa de dragões, fadas ou sereias para ser absolutamente fantástica.

Em Caraval acompanhamos a tragetória das irmãs Scarlett e Donatella Dragna em busca de sua liberdade. As jovens vivem presas em uma pequena ilha onde seu pai, um homem cruel e sanguinário, é a autoridade máxima.

Scarlett conhece muito bem e sonha acordada há anos com o Caraval, um misterioso e supostamente mágico espetáculo que acontece anualmente, sempre em locais diferentes do Império Meridiano. Ela envia cartas e mais cartas para Lenda, o idealizador do evento, implorando por um convite, mas sempre sem resposta.

Até que um dia, as irmãs são surpreendidas com os tão sonhados convites que irão mudar suas vidas para sempre. Ao embarcar em busca de sua liberdade e do sonho de participar do Caraval, Scarlett e Donatella se deparam com um mundo que jamais imaginaram existir, nem mesmo em sonhos (ou pesadelos).

O livro tem muitos plot twists, por volta da metade tudo toma um rumo muito sombrio e quando eu achei que a história estava se perdendo tudo virou de ponta cabeças novamente e eu acabei AMANDO e me surpreendendo demais com o desfecho!

Ah, obviamente como toda boa história também temos romance aqui, um enemies to lovers/grumpy sunshine da melhor qualidade, mas tudo muito suave e nada de cenas picantes, então podem ler em público tranquilamente.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Melhor do que nos filmes

“Minha herança foi saber que o amor está sempre no ar, é sempre uma possibilidade e sempre vale a pena.” ―  Lynn Painter, Melhor do que nos filmes

Depois de uma jornada intensa lendo Fourth Wing, resolvi ler um romance pra espairecer e escolhi Melhor do que nos filmes, que eu já tinha visto algumas pessoas recomendando nas redes sociais.

E meus amigos, que livro FOFO! Levei um tempo pra me cativar pela história, já que saí de um livro super complexo e caí de paraquedas em um romance de adolescentes no ensino médio, cheio daqueles dramas típicos que estamos acostumados. Mas depois que engatei, devorei a história como se minha vida dependesse disso.

O livro conta a história da Elizabeth Buxbaum (mais conhecida como Liz), uma adolescente que perdeu a mãe quando era muito jovem e desde então tornou-se uma verdadeira fanática por filmes de comédia romântica, algo que herdou da mãe, com quem os assistia quando era criança.

Ela é diferente da maioria das garotas da sua idade (afinal, ela é a protagonista, né?), usa vestidos floridos, sapatos de boneca e seu ideal de diversão é passar as noites sozinha, comendo pipoca e assistindo seus preciosos filmes. Além disso, é uma romântica incorrigível que acredita que algum dia irá encontrar o “cara ideal” e ser feliz para sempre.

E esse cara ideal com certeza não é seu vizinho. O terrível, mas absurdamente lindo Wesley Bennett, que mora na casa ao lado de Liz desde que os dois eram crianças e dedicou boa parte da sua vida em tornar a de Liz miserável, podia ser amado e querido por todos a sua volta, mas com certeza não por Liz (como alguém viciado em comédia romântica não percebeu pra onde isso aqui estava indo?).

Quando Michael Young, um amigo de infância de Wes e Liz, volta para a cidade depois de anos morando no Texas, a protagonista vê seu retorno como um sinal, já que o garoto foi seu primeiro amor e se encaixava perfeitamente no papel de “cara ideal” que ela construiu com o passar dos anos.

Porém, Michael continua vendo Liz como a criança que brincava de pique-esconde com ele anos atrás e não como uma jovem atraente e possível par romântico. É aí que entra nosso enredo principal. Liz decide pedir ajuda a Wes para conquistar Michael e convencê-lo a convidá-la para o baile de formatura.

E é aí que a diversão começa! Melhor do que nos filmes nos presenteia com um enemies to lovers unilateral maravilhoso, já que a gente sabe que o menino que irrita a menina na verdade nunca odiou ela de verdade, né? E ao mesmo tempo nos cativa com momentos profundos em família, aborda de uma forma muito delicada a questão do luto e de como ele muda a vida das pessoas, além de explorar a amizade e a mentalidade adolescente em sua forma mais pura, com todo o caos, a incerteza e é claro, os hormônios.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Vermelho, Branco e Sangue Azul

“Às vezes você simplesmente pula e torce para que não seja um penhasco.” – Vermelho, Branco e Sangue Azul

Depois de muito ouvir sobre essa história que conquistou o mundo no último ano, finalmente li Vermelho, Branco e Sangue Azul (li em um dia, alguns dias após a adaptação estrear no Prime Video). E que surpresa agradável!

Pra quem não conhece, Vermelho, Branco e Sangue Azul conta a história de amor improvável entre Henry, o príncipe da Inglaterra, e Alex Claremont-Diaz, o filho da presidenta dos Estados Unidos.

Fazia muito tempo que eu não me sentia tão cativada quanto me senti por esses dois personagens, que são desenvolvidos de uma forma tão leve, gostosa e intensa ao mesmo tempo. Eles são cheios de camadas, cada um possui seus próprios dilemas na vida e ambos se encontram encurralados diante desse amor que tem tudo pra dar errado.

Ele começa com um enemys to lovers de qualidade, o que me ganhou já de primeira, e se desenvolve para um dos romances mais puros e lindos que eu já tive o prazer de testemunhar (por meio de palavras haha).

Pra quem viu o filme e não leu o livro, a essência é a mesma, porém temos algumas diferenças bem importantes. No livro temos um aprofundamento na descoberta do Alex como bissexual, algo que já está mais esclarecido na adaptação, mas é de extrema relevância no livro. Também temos mais personagens, que acabam enriquecendo a história, como a irmã mais velha do Alex, a June, o senador Rafael Luna, que é uma grande inspiração para o Alex no mundo da política e acaba se tornando uma peça chave na trama principal, e é claro, a mãe do príncipe Henry, que desempenha um papel relevante quando o príncipe precisa enfrentar a rainha (sim, no livro temos uma rainha).

A estrutura familiar do Alex foi completamente alterada no filme, o que eu acho que tirou um pouco da profundidade do personagem, já que no livro seus pais são divorciados, o que desencadeia diversas discussões e reflexões, e ele também tem a irmã mais velha, que sempre foi um alicerce na sua vida.

O trio da casa branca (Alex, June e Nora, a neta do vice-presidente), fizeram muita falta no filme também. Entendi a ideia de unir as duas personagens femininas em uma só, mas achei que de toda forma a Nora do filme foi zero relevante pra história, o que é bem triste quando comparado com o livro.

Essa resenha virou uma comparação entre filme e livro, mas vamos fazer o que, não é mesmo? Vamos considerá-la como uma espécide de: VALE A PENA LER O LIVRO SE EU JÁ VI O FILME? E a resposta é: SIM!

O livro é muito mais profundo, aborda temas mais relevantes, os personagens tem mais camadas e são mais bem explorados, assim como o passado dos protagonistas. As cenas de drama são MUITO MAIS TRISTES (chorei de soluçar) e o livro também tem muito mais política, algo que foi completamente deixado de lado na adaptação. E pra encerrar a resenha e a comparação: o final do livro é muito mais fechadinho e satisfatório para os fãs do casal!

Com certeza um dos melhores romances da minha vida e o defenderei até o final. HISTÓRIA, HEIN?

Nota:⭐⭐⭐⭐

Resenha | A Biblioteca da Meia-Noite

A Biblioteca da Meia-Noite foi mais um livro que li por recomendação do Booktok. Embarquei em mais uma leitura sem ler a sinopse (nessa altura vocês já perceberam que eu amo fazer isso) e me surpreendi quando descobri do que o livro se tratava.

Nora Seed é uma mulher de 35 anos, cheia de talentos, mas com poucas conquistas na vida e sem amigos ou família, completamente solitária. Em certo ponto, após perder seu emprego e seu gato de estimação na mesma semana, Nora simplesmente decide que sua vida não vale a pena ser vivida.

Após tomar essa decisão drástica, Nora segue com seu plano para morrer. Porém, ao invés de encontrar a morte do outro lado, ela se surpreende ao encontrar uma biblioteca.

Na biblioteca da meia-noite o tempo não passa, é sempre pontualmente meia-noite, e nela existem infinitos exemplares de livros aparentemente iguais. Nora descobre que a biblioteca também possui uma bibliotecária, a Sra. Elm, que costumava ser bibliotecária na escola onde Nora estudava.

Basicamente, cada livro da biblioteca da meia-noite contém uma vida, uma realidade. Sim, estamos falando de multiverso. Cada livro mostra como teria sido a vida de Nora caso ela tivesse tomado decisões diferentes das que tomou.

A regra é simples, Nora pode explorar quantas realidades ela quiser até encontrar uma onde ela queira viver, então ela vai se tornar parte daquela realidade e esquecer da existência da biblioteca. Porém, todas as vezes em que ela estiver vivendo uma dessas vidas e começar a se sentir triste e decepcionada, ela automaticamente será transportava de volta à biblioteca.

A partir daqui nós acompanhamos uma longa jornada da personagem em diversos universos, onde ela foi professora, nanadora olímpica, estrela do rock, dona de vinícola ou dona de casa. Devido a essa constante mudança de cenário o livro se torna leve e divertido, por mais que aborde temas como depressão e ansiedade.

A forma como o multiverso foi utilizado nesse livro não apenas para entreter mas também para mostrar como somos nós que moldamos a nossa realidade e que por mais que voltassemos atrás e mudassemos tudo de que nos arrependemos, não significaria que nossa vida seria melhor ou perfeita. Porque a vida nunca é perfeita. Sempre irão existir altos e baixos, indepedente da nossa profissão, da cidade que escolhemos viver, do nosso parceiro, da nossa situação financeira.

Nós acompanhamos a evolução lenta e gradual da Nora de uma pessoa que simplesmente odiava a própria vida a ponto de não querer mais viver a uma pessoa que compreendeu que se todas as outras Noras eram capazes de ser feliz, ela também era. Não temos aqui um comparativo com outras pessoas, mas sim consigo mesmo.

Eu duvido que depois da leitura desse livro alguém consiga pensar “e se” sem se corrigir logo em seguida. Essa história não é qualquer história, ela muda a sua forma de compreender a vida, o universo que nos cerca. É uma boa leitura pra quem está satisfeito com a vida que leva e uma ÓTIMA leitura para aqueles que não estão.

Com certeza o livro merece todo o hype que está recebendo e agora eu quero comprar a versão física pra poder ter essa belezinha brilhando no escuro da minha estante!

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Anne de Ingleside

E a saga da nossa querida Anne Shirley, também conhecida como Anne Blythe (demorei, mas me acostumei), está chegando ao fim (na verdade eu escrevi essa resenha achando que esse era o último livro, porém Vale do Arco Íris e Rilla de Ingleside também fazem parte da coleção oficial).

Anne de Ingleside acompanha a vida de Anne dos seus 34 aos seus 40 anos, então se preparem porque MUITA coisa acontece.

O que mais me chamou atenção nesse livro é o fato de que a narrativa não é feita unicamente pela protagonista, mas desta vez ela é dividida entre muitos personagens. Trata-se dos filhos de Anne e Gilbert, que ganham capítulos inteiros para contar suas aventuras e descobertas. Confesso que no início achei ruim o foco sair da Anne, mas depois comecei a entender o quão especial é poder conhecer mais dessas crianças que são a mistura perfeita dos pais e que foram criadas de forma impecável. Também é bacana saber que eles nunca vão precisar viver o que Anne viveu na infância, mas que ao contrário disso são rodeados de amor, conforto e segurança desde o dia em que nasceram.

O livro tem 336 páginas, sendo assim o maior da coleção, e nos traz todos os tipos de sentimentos, mas o que mais se destacou pra mim foi: raiva.

Os capítulos narrados pelas crianças, em sua grande maioria, trazem momentos onde tudo que o leitor quer fazer é enfiar a cabeça no buraco. Temos crianças inocentes demais, que acreditam nas mentiras mais cabulosas, mentem para os pais, fogem de casa, fazem barganha com Deus, até crianças que jogam bolos no rio por acharem vergonhoso carregá-los. E cada uma dessas histórias me fez morrer um pouco mais por dentro. Eu só queria que eles levassem um bom puxão de orelha, mas não em Ingleside, nunca em Ingleside. Anne estava sempre pronta para dar um abraço, um beijo, dizer ‘tudo bem’ e ainda oferecer um cupcake antes de dormir. O mesmo vale pra Gilbert e Susan.

Outra raiva que nos aflige já no começo do livro é a tia Mary Maria, uma tia distante de Gilbert que vem passar um final de semana e acaba passando um ano. Ela destrói completamente a harmonia da casa, todo mundo a odeia, inclusive as crianças, Anne não se sente mais dona da própria casa E MESMO ASSIM NINGUÉM TEM CORAGEM DE MANDAR A MULHER EMBORA. Ah, tem coisas que simplesmente não tem cabimento.

E o que dizer sobre a crise no casamento dos Blythe, que me arrebatou nas últimas 30 páginas de leitura, me deixando com os nervos a flor da pele, pronta para entrar página a dentro e agarrar o Gilbert pelo pescoço. Não posso dizer quantas vezes gritei: PEDE DIVÓRCIO, PEDE DIVÓRCIO! Nada que Gilbert Blythe dissesse naquela noite me faria perdoá-lo pelo ódio que eu e Anne passamos.

Aliás, esse desgaste no relacionamento dos Blythe, proveniente do trabalho excessivo do jovem doutor, também foi um ponto muito abordado e algo muito real nos relacionamentos. O desgaste, a distância, a forma como as coisas se tornam automáticas. Anne de Ingleside aborda muito bem a sobrecarga que ambos podem sentir em um relacionamento, tanto quem fica em casa, quanto quem trabalha, e pela primeira vez podemos realmente nos identificar com a tão perfeita Anne, que chega no seu limite em determinados momentos.

Jem, Walter, Nan, Di, Shirley e Rilla foram com certeza o ponto alto da leitura, trazendo uma leveza, pureza e criatividade que não víamos desde Anne de Green Gables. A cada página lida eu falava “são iguaizinhos a mãe”, todos sempre no mundo das fadas, fantasiando sobre piratas, príncipes e princesas. Porém, confesso que demorei MUITO pra discernir quem era quem e até o fim do livro ainda não sabia ao certo quantos filhos eles tinham haha

Uma coisa que senti falta aqui foi uma presença mais marcante dos personagens introduzidos em Anne e a Casa dos Sonhos. Sabemos que Leslie e seu novo marido compraram a casa dos sonhos como casa de veraneio, porém, pouco vimos do casal, que poderia ter aparecido um pouco mais, já que Jem vivia na casa onde nasceu, brincando com o filho de Leslie. Cornélia até aparece bastante, mas eu simplesmente senti que as conexões criadas no penúltimo livro foram simplesmente jogadas no espaço, esquecidas no tempo, nos bons e velhos tempos (saudades Capitão Jim).

Finalizo essa resenha dizendo que senti falta de mais “Anne” nesse livro, mesmo com todo o resto que tivemos e também que eu jurava de pé junto que esse era o último livro da coleção, já tinha feito toda uma despedida, porém Vale do Arco Íris e Rilla de Ingleside aparentemente não são apêndices, mas sim parte oficial da história. Então deixemos as despedidas pra depois, pois ainda tenho dois livros pela frente.

Resenha | Sol da Meia-Noite

“Sua existência era uma desculpa suficiente para a justificativa da criação do mundo inteiro.” – O Sol da Meia-Noite

Enquanto conferia minha lista de resenhas, percebi que faltava a de um livro muito especial: O Sol da Meia-Noite, também conhecido como Crepúsculo pelos olhos do Edward, ou Crepúsculo MUITO mais interessante.

Eu finalizei a leitura desse livro em junho de 2021, mas por graça divina tinha um roteiro de vídeo salvo na nuvem, onde falava exatamente o que achei da história, e é o que usarei de base para a resenha de hoje (minha memória não é tão boa assim pra resenhar um livro de 2 anos atrás haha).

O Sol da Meia-Noite possui nada mais, nada menos do que 736 páginas, e como citado anteriormente, conta exatamente a história do livro Crepúsculo, porém desta vez, pelos olhos do Edward.

Começando pelos pontos negativos, eu confesso que demorei MUITO pra finalizar a leitura do livro, por achar ele incrivelmente arrastado. Devemos levar em consideração que a história é narrada por um vampiro centenário, que não dorme e portanto tem muito tempo livre para divagar sobre os mais variados temas. Mas gente do céu, as vezes ele passa dos limites!

Outra coisa que mudou na leitura desse livro foi a minha paixão avassaladora pelo Ed, pelo simples fato de que, AQUI, e só aqui, podemos perceber o quão psicopata e stalker ele realmente é. O homem simplesmente observa e persegue a Bella 24/7. Isso fica aparente em algumas cenas de Crepúsculo, porque a Bella não sabia dessa perseguição, mas agora temos acesso a toda a loucura do homem, que andava se pendurando em árvores em dias de sol porque NÃO PODIA ficar sem ver a amada (isso antes sequer deles conversarem).

Fora isso ele ainda é mega violento e tem pensamentos bem doentios em relação aos amigos da Bella e principalmente em relação ao Mike. Ah, eu comentei que nesse livro ele ameaça a Bella de morte NO MÍNIMO 100 vezes? Porque isso também acontece.

Fora esses pequenos detalhes, foi muito interessante poder ver a história por outra perspectiva, já que o Edward desaparecia em vários momentos de Crepúsculo e nesse livro podemos finalmente saber por onde ele andava e o que ele fazia nesses momentos.

Finalmente pudemos entender porque o Edward amava tanto a Bella. Em Crepúsculo a personagem se vê como fraca, boba e sem sal, e é essa representação que temos no livro e no filme, porém, na visão de Edward, ela é incrível, culta, inteligente e cheia de personalidade. Dá um significado muito mais forte ao amor deles.

Temos muitos detalhes da família Cullen nesse livro, que nunca tivemos antes, como por exemplo o passado da Alice com o James, a perseguição do James que é relatada em detalhes, também temos o longo período em que a Bella fica internada após o acidente e Edward fica no hospital, que antes não tínhamos acesso porque a Bella estava desacordada, enfim, temos muitos momentos bacanas que não teríamos acesso pelos olhos da Bella.

A amizade entre Alice, Bella e Charlie é muito explorada aqui também, algo que amei. E falando em Charlie, temos momentos incríveis do Charlie ciumento como por exemplo quando ele liga para o Carlisle para pedir o que ele achava da relação dos ‘jovens’.

Uma das minhas cenas preferidas com certeza é quando eles levam Bella para o hospital, sangrando após o incidente da sala de espelhos, e começam a bolar um plano para acobertar a verdade. Edward dá as ideias, Alice vê o futuro para ver como o plano transcorreria e imediatamente Edward lê sua mente e vai alterando o plano até ela ver que tudo vai correr como planejado. É uma narração intensa e INCRÍVEL de acompanhar.

No geral, acho que a leitura de O Sol da Meia-Noite é simplesmente NECESSÁRIA para todo os fãs da saga Crepúsculo. Ele traz detalhes e informações sobre os personagens que nunca tivemos antes e que com certeza mudam nossa perspectiva da história. Eu amei odiar esse livro!