Resenha | O Natal de Poirot

“Os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extraordinariamente bem…” ― Agatha Christie, O Natal de Poirot

Após longos períodos de ressaca literária e uma meta de leitura frustrada, resolvi encerrar 2025 com um livro de Natal, mas não apenas um livro de Natal: um livro de Natal de mistério/investigação.

Minha escolha foi o clássico O Natal de Poirot, da gigante Agatha Christie. Esse foi meu primeiro livro da autora, o que é uma vergonha visto o quanto eu amo livros de mistério, mas antes tarde do que nunca.

Comecei a leitura na véspera de Natal e finalizei pouco antes da virada do ano e amigos, QUE LIVRO BOM. Pra quem, assim como eu, não é familiarizado com as obras de Christie, Poirot é considerado o segundo detetive mais famoso da literatura, ficando atrás apenas de Sherlock Holmes, e ele protagoniza mais de 33 livros e 50 contos da autora.

Nesse livro de 240 páginas acompanhamos o Natal da conturbada família Lee. O milionário Simeon Lee é um homem de idade avançada que vive em uma mansão luxuosa com o filho mais velho e a nora. Para o Natal desse ano ele decide que quer reunir toda a família Lee, o que inclui filhos que ele não vê há mais de 20 anos, uma neta e noras que ele nunca sequer conheceu.

O Natal dos Lee tem tudo para ser um verdadeiro caos, filhos que se odeiam, pessoas com personalidades completamente diferentes embaixo do mesmo teto e o principal: o patriarca avisa que irá fazer mudanças no seu testamento no dia seguinte ao Natal e ameaça cortar as mesadas dos filhos!

É diante desse cenário que Simeon Lee é assassinado… A polícia local entra em ação para investigar o crime, com assistência do famoso detetive Hercule Poirot, que estava na cidade a passeio.

Pensem em uma história cheia de plot twists. Eu achei literalmente impossível descobrir quem era o assassino, tudo era possível e impossível ao mesmo tempo, todas as teorias eram boas, mas nada era concreto até o momento da grande revelação. Meu queixo ficou no chão e falei “É O QUE?” no mínimo 10 vezes.

Uma obra-prima, recomendo demais!

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Aprendiz do Vilão

“Cuidado com a fúria de um coração bondoso.” ― Hannah Nicole Maehrer, Aprendiz do Vilão

Que bom voltar pra casa! Quase 1 ano depois de ler o primeiro livro da trilogia Assistente do Vilão eu embarquei na leitura da sua continuação: Aprendiz do Vilão, e que saudade que eu tava!

Aprendiz do Vilão já começa com os ânimos lá em cima, após o Vilão ser capturado pelo rei Benedict e sua assistente Evie Sage ter ficado no comando da mansão e da Guarda Malevolente. No final do primeiro livro vimos nossa protagonista determinada a ultrapassar qualquer limite para resgatar o chefe e aqui descobrimos quais são esses limites…

Evie continua sendo o ponto alto da história, com sua personalidade forte, sua forma positiva de ver o mundo, bom humor, leveza, mas sem deixar isso a impedir de ser forte, determinada, inteligente e perspicaz. Ela é boa, mas ela não é boba e é isso que faz dela uma protagonista tão incrível e diferente das demais.

Falando de romance, após mais de 500 páginas de slow burn entre assistente e chefe, sinto informar que temos mais 500 páginas de slow burn entre assistente e chefe… eu não sou melhor do que ninguém e AMO um slow burn, mas nada me irrita mais do que quando o slow fica SLOW DEMAIS. E infelizmente a Hannah perdeu totalmente a mão. No segundo livro vemos os sentimentos entre os dois protagonistas ficando mais fortes e mais claros, mas eles parecem cada vez mais incapazes de se comunicar e colocar esses sentimentos em palavras e isso me estressa profundamente.

Romance a parte, Aprendiz do Vilão entra de cabeça na parte mais política e moral da história, mostrando como o Vilão acabou assumindo um papel na sociedade que não necessariamente lhe cabia, quando na verdade o verdadeiro vilão é outro. O livro mostra como existe uma linha tênue entre o que é bom e o que é mau e nem sempre as coisas podem ser preto no branco.

Amei acompanhar a Evie assumindo seu papel como aprendiz do Vilão, batendo no peito e com orgulho dos seus feitos maléficos, assim como amei poder conhecer mais sobre o passado e as histórias de personagens secundários, principalmente da Becky.

Eu amo ser uma pessoa que não adivinha as coisas. Nada pra mim é óbvio e tudo é uma surpresa. Então desde que o pai da Evie foi revelado como espião no fim do primeiro livro meu queixo ficou no chão praticamente o tempo todo com tanta revelação.

Não vejo a hora de saber o final dessa história, mas depois de 544 páginas e meses pra finalizar essa leitura (culpa da minha rotina, não da história), vou dar uma pausa no drama de Rennedawn.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Resenha | A Biblioteca dos Sonhos Secretos

“Portanto, sempre que me sinto alegre ou feliz digo pra mim mesma que valeu a pena me esforçar para nascer.” ― Michiko Aoyama, A Biblioteca dos Sonhos Secretos

A Biblioteca dos Sonhos Secretos (2023) é um livro sobre o poder dos livros e do subconsciente humano.

Encontrei esse livro após me surpreender com Antes Que o Café Esfrie, do escritor japonês Toshikazu Kawaguchi, e pesquisar por livros semelhantes.

Assim como em Antes Que o Café Esfrie, nesse livro acompanhamos a história de um personagem diferente a cada capítulo. Cada personagem chega a biblioteca comunitária a procura de algo simples e acaba saindo de lá com uma nova perspectiva de vida.

Como isso acontece? Graças a Sayuri Komachi, a bibliotecária do local, que com uma simples pergunta (‘o que você procura?‘) e muita intuição, indica o livro perfeito pra cada pessoa.

A Biblioteca dos Sonhos Perdidos é um livro reflexivo, que te faz ver a vida com outros olhos por meio de personagens cheios de personalidade e extremamente cativantes. Cada um com suas particularidades, sonhos esquecidos ou planos frustrados, que ao longo da história percebem que existe sempre uma forma melhor de ver e viver a vida e que nunca é tarde demais.

Como todos os personagens citados no livro vivem na mesma comunidade, por vezes as histórias se cruzam e ficamos sabendo um pouco sobre os outros personagens na história de seus vizinhos. Eu amo esse tipo de construção de universo, então foi um ponto positivo pra mim.

No geral eu achei que vale a pena a leitura, mas não é nada revolucionário ou que vai te marcar pra sempre, eu mesma estou escrevendo essa resenha semanas depois de terminar a leitura e já não lembro de muita coisa.

Se vocês lerem me contem o que acharam!

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | A Noite em que ela Desapareceu

“É mais fácil lidar com as pessoas se elas te subestimam.” [People are easier to deal with if they underestimate you.] ― Lisa Jewell, A Noite em que ela Desapareceu

Um minuto de silêncio: EU ACABEI DE LER O SUSPENSE DA MINHA VIDA!

A Noite em que ela Desapareceu (The Night She Disappeared) conta a história do desaparecimento de um casal de jovens no interior da Inglaterra. Tallulah e Zach tem 19 anos, namoram desde a infância e acabaram de ter um bebê juntos, o pequeno Noah. Eles moram com a mãe e o irmão de Tallulah, Kim e Ryan.

Tudo corre bem ― aparentemente, é claro ― até que em uma noite de verão Tallulah e Zach desaparecem após comparecer a uma festa na piscina da mansão da família Jacques, a convite de Scarlett, uma colega de faculdade de Tallulah.

O livro tem 416 páginas e é dividido em partes e em narrativas diferentes, o que confesso que foi minha parte preferida porque conecta os pontos de forma genial! Começamos em junho de 2017, na noite do desaparecimento, narrada pelo ponto de vista de Kim, a mãe da jovem desaperecida.

Depois passamos para agosto de 2018, a parte do livro contada pela perspectiva de Sophie, uma escritora de livros de investigação que se muda para a cidade onde o desaparecimento aconteceu (aqui o ocorrido já completou 1 ano). Sophie é a namorada do novo diretor de uma escola particular da região e acabou deixando sua vida agitada em Londres para se mudar com o namorado. No início ela pode parecer uma peça aleatória no quebra-cabeças, mas ela é fundamental para a investigação dos desaparecimentos, já que todos os envolvidos no caso estudavam ou moravam na escola onde seu namorado trabalha e ela é MUITO curiosa!

E por último tempos a narrativa da própria Tallulah, que começa em 2016, quando ela ainda não havia reatado seu relacionamento com Zach (eles ficaram separados por um tempo) e conheceu Scarlett.

Com essas três narrativas avançando paralelamente nós conseguimos começar a costurar a grande rede que é A Noite em que ela Desapareceu. Com o avançar da leitura a linha do tempo da Kim alcança a da Sophie em 2018, enquanto as duas mulheres se unem para auxiliar na investigação, e a narrativa da Tallulah finalmente chega na noite do desaparecimento e as coisas vão ficando CADA VEZ MELHORES!

Ainda temos um quarto ponto de vista no epílogo que responde as últimas perguntas, liga os últimos pontos e nos deixa de queixo caído. Esse livro é uma obra prima do início ao fim.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Assistente do Vilão

⁠”Todos nós somos monstros, no fim das contas. Pelo menos o meu vive às claras.” ― Hannah Nicole Maehrer, Assistente do Vilão

Assim que comecei a leitura de Assistente do Vilão a história não me cativou, mas eu desconfiei desde o princípio que eu só não estava no humor certo pra leitura então após ler um suspense DAQUELES (A Paciente Silenciosa), resolvi dar uma segunda chance.

E que bom que eu voltei atrás! Não conseguiria me perdoar se não tivesse me permitido mergulhar de cabeça no pequeno universo construído ao redor de Evie Sage e do nosso tão amado Vilão. Confesso pra vocês que fazia muito tempo que a atmosfera de um livro não me fazia sentir tão em casa.

A Evie odiava ter que voltar pra casa depois do expediente no castelo do Vilão, mas eu provavelmente odiava mais ainda. Todas as cenas no castelo são incríveis, a atmosfera que eles foram construindo no decorrer da história, fazendo aos poucos a gente se importar com cada personagem e no fim vermos os funcionários do Vilão e até mesmo o chefe sendo parte de uma grande família é algo surreal.

Em um resumo da ópera um belo dia nossa protagonista Evie Sage acaba cruzando caminhos com o Vilão do reino, temido por todos e perseguido pelo rei. Evie estava desesperada atrás de um novo emprego para sustentar sua família e acaba acidentalmente conseguindo um emprego como assistente do Vilão.

Como toda boa história precisa de uma dose de romance obviamente nossos protagonistas acabam perdidamente apaixonados um pelo outro e nenhum dos dois faz a mínima ideia disso. Alguns capítulos são narrados pela assistente e outros (poucos na minha opinião) pelo Vilão e isso só deixa tudo ainda mais interessante.

Assistente do Vilão é o primeiro livro de uma trilogia e o grande plot da primeira parte da história além do romance proibido, é claro ― é um mistério envolvendo os funcionários do Vilão. Eles descobrem que alguém próximo do chefe é um traidor e está repassando informações privilegiadas dos planos do Vilão para o rei e precisam descobrir com urgência quem é esse traidor.

Em meio a traições, investigações, ataques, romance e muita magia nós vamos criando um apego profundo pelo universo e por cada personagem e no final ficamos sedentos pela continuação (ainda bem que já lançou).

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Resenha | O Amor e Outras Coisas

“Nunca me ocorreu que o amor pudesse ser qualquer coisas que não transbordante, arrebatador. Ainda na infânfica, já sabia que não me contentaria com ter nada menos do que isso.” – Amor e Outras Coisas (Christina Lauren)

Vamos falar do livro que rapidamente se tornou um dos meus favoritos de todos os tempos. O Amor e Outras Coisas é um romance pra quem gosta de um slow burn de qualidade e do clássico friends to lovers, to strangers, back to lovers. Nessa introdução eu arrisco dizer que a história dos nossos protagonistas me lembrou demais a do casal Lilly e Atlas de É Assim Que Acaba (mas as semelhanças param por aí, juro).

Em O Amor e Outras Coisas acompanhamos a vida de Macy Sorensen, desde de seus 13 anos até os seus 28. Os capítulos se intercalam entre passado e presente de uma forma muito clara e que sempre te deixa querendo saber o que vai acontecer em seguida, te fazendo devorar um capítulo após o outro. Eu li suas 396 páginas em menos de 24 horas.

Macy e seu pai compram uma casa de férias no interior da Califórnia após a morte de sua mãe (que era brasileira, o que é bem legal), onde os dois começam a passar seus fins de semana, feriados e verões.

E é nessa casa de férias que Macy conhece Elliot e o resto é história (brincadeira haha). Macy e Elliot constroem uma relação linda de amizade, confiança e amor durante 5 anos, até que algo terrível acontece e eles ficam sem se falar ou ter notícias um do outro por longos 11 anos.

Achei essa frase perfeita para a história desse livro (Foto: Fernanda Tomás)

O bacana nesse livro é que a gente sabe quando a tragédia vai acontecer e todos os capítulos contam com a data no seu título, ou seja, a ansiedade para chegarmos no fatídico dia 31 de dezembro só aumenta conforme os protagonistas trazem o assunto a tona no presente.

O romance de Macy e Elliot é um dos mais gostosos, puros e bonitos que eu já vi em um livro. É realmente coisa de almas gêmeas e você consegue sentir isso. Consegue sentir a dor e entender mais do que bem os motivos que os mantiveram afastados por tanto tempo.

Só vou dizer uma coisa pra vocês: eu nunca chorei tanto em toda a minha vida lendo um livro. Chorei de dor, chorei de soluçar, chorei incontrolavelmente enquanto eles choravam. A espera pelo dia 31 de dezembro valeu a pena e o grande momento veio como um soco no estômago.

Por mais que o livro seja um slow burn, no presente as coisas se desenrolam de uma forma muito espontânea e rápida na maioria das vezes, sem ex namorados como Ryle (É Assim Que Acaba) ou drama desnecessário dos protagonistas. Todo drama aqui é aceitável e necessário.

O livro é perfeito. Recomendo de olhos fechados.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | Anne de Ingleside

E a saga da nossa querida Anne Shirley, também conhecida como Anne Blythe (demorei, mas me acostumei), está chegando ao fim (na verdade eu escrevi essa resenha achando que esse era o último livro, porém Vale do Arco Íris e Rilla de Ingleside também fazem parte da coleção oficial).

Anne de Ingleside acompanha a vida de Anne dos seus 34 aos seus 40 anos, então se preparem porque MUITA coisa acontece.

O que mais me chamou atenção nesse livro é o fato de que a narrativa não é feita unicamente pela protagonista, mas desta vez ela é dividida entre muitos personagens. Trata-se dos filhos de Anne e Gilbert, que ganham capítulos inteiros para contar suas aventuras e descobertas. Confesso que no início achei ruim o foco sair da Anne, mas depois comecei a entender o quão especial é poder conhecer mais dessas crianças que são a mistura perfeita dos pais e que foram criadas de forma impecável. Também é bacana saber que eles nunca vão precisar viver o que Anne viveu na infância, mas que ao contrário disso são rodeados de amor, conforto e segurança desde o dia em que nasceram.

O livro tem 336 páginas, sendo assim o maior da coleção, e nos traz todos os tipos de sentimentos, mas o que mais se destacou pra mim foi: raiva.

Os capítulos narrados pelas crianças, em sua grande maioria, trazem momentos onde tudo que o leitor quer fazer é enfiar a cabeça no buraco. Temos crianças inocentes demais, que acreditam nas mentiras mais cabulosas, mentem para os pais, fogem de casa, fazem barganha com Deus, até crianças que jogam bolos no rio por acharem vergonhoso carregá-los. E cada uma dessas histórias me fez morrer um pouco mais por dentro. Eu só queria que eles levassem um bom puxão de orelha, mas não em Ingleside, nunca em Ingleside. Anne estava sempre pronta para dar um abraço, um beijo, dizer ‘tudo bem’ e ainda oferecer um cupcake antes de dormir. O mesmo vale pra Gilbert e Susan.

Outra raiva que nos aflige já no começo do livro é a tia Mary Maria, uma tia distante de Gilbert que vem passar um final de semana e acaba passando um ano. Ela destrói completamente a harmonia da casa, todo mundo a odeia, inclusive as crianças, Anne não se sente mais dona da própria casa E MESMO ASSIM NINGUÉM TEM CORAGEM DE MANDAR A MULHER EMBORA. Ah, tem coisas que simplesmente não tem cabimento.

E o que dizer sobre a crise no casamento dos Blythe, que me arrebatou nas últimas 30 páginas de leitura, me deixando com os nervos a flor da pele, pronta para entrar página a dentro e agarrar o Gilbert pelo pescoço. Não posso dizer quantas vezes gritei: PEDE DIVÓRCIO, PEDE DIVÓRCIO! Nada que Gilbert Blythe dissesse naquela noite me faria perdoá-lo pelo ódio que eu e Anne passamos.

Aliás, esse desgaste no relacionamento dos Blythe, proveniente do trabalho excessivo do jovem doutor, também foi um ponto muito abordado e algo muito real nos relacionamentos. O desgaste, a distância, a forma como as coisas se tornam automáticas. Anne de Ingleside aborda muito bem a sobrecarga que ambos podem sentir em um relacionamento, tanto quem fica em casa, quanto quem trabalha, e pela primeira vez podemos realmente nos identificar com a tão perfeita Anne, que chega no seu limite em determinados momentos.

Jem, Walter, Nan, Di, Shirley e Rilla foram com certeza o ponto alto da leitura, trazendo uma leveza, pureza e criatividade que não víamos desde Anne de Green Gables. A cada página lida eu falava “são iguaizinhos a mãe”, todos sempre no mundo das fadas, fantasiando sobre piratas, príncipes e princesas. Porém, confesso que demorei MUITO pra discernir quem era quem e até o fim do livro ainda não sabia ao certo quantos filhos eles tinham haha

Uma coisa que senti falta aqui foi uma presença mais marcante dos personagens introduzidos em Anne e a Casa dos Sonhos. Sabemos que Leslie e seu novo marido compraram a casa dos sonhos como casa de veraneio, porém, pouco vimos do casal, que poderia ter aparecido um pouco mais, já que Jem vivia na casa onde nasceu, brincando com o filho de Leslie. Cornélia até aparece bastante, mas eu simplesmente senti que as conexões criadas no penúltimo livro foram simplesmente jogadas no espaço, esquecidas no tempo, nos bons e velhos tempos (saudades Capitão Jim).

Finalizo essa resenha dizendo que senti falta de mais “Anne” nesse livro, mesmo com todo o resto que tivemos e também que eu jurava de pé junto que esse era o último livro da coleção, já tinha feito toda uma despedida, porém Vale do Arco Íris e Rilla de Ingleside aparentemente não são apêndices, mas sim parte oficial da história. Então deixemos as despedidas pra depois, pois ainda tenho dois livros pela frente.

Resenha | Sol da Meia-Noite

“Sua existência era uma desculpa suficiente para a justificativa da criação do mundo inteiro.” – O Sol da Meia-Noite

Enquanto conferia minha lista de resenhas, percebi que faltava a de um livro muito especial: O Sol da Meia-Noite, também conhecido como Crepúsculo pelos olhos do Edward, ou Crepúsculo MUITO mais interessante.

Eu finalizei a leitura desse livro em junho de 2021, mas por graça divina tinha um roteiro de vídeo salvo na nuvem, onde falava exatamente o que achei da história, e é o que usarei de base para a resenha de hoje (minha memória não é tão boa assim pra resenhar um livro de 2 anos atrás haha).

O Sol da Meia-Noite possui nada mais, nada menos do que 736 páginas, e como citado anteriormente, conta exatamente a história do livro Crepúsculo, porém desta vez, pelos olhos do Edward.

Começando pelos pontos negativos, eu confesso que demorei MUITO pra finalizar a leitura do livro, por achar ele incrivelmente arrastado. Devemos levar em consideração que a história é narrada por um vampiro centenário, que não dorme e portanto tem muito tempo livre para divagar sobre os mais variados temas. Mas gente do céu, as vezes ele passa dos limites!

Outra coisa que mudou na leitura desse livro foi a minha paixão avassaladora pelo Ed, pelo simples fato de que, AQUI, e só aqui, podemos perceber o quão psicopata e stalker ele realmente é. O homem simplesmente observa e persegue a Bella 24/7. Isso fica aparente em algumas cenas de Crepúsculo, porque a Bella não sabia dessa perseguição, mas agora temos acesso a toda a loucura do homem, que andava se pendurando em árvores em dias de sol porque NÃO PODIA ficar sem ver a amada (isso antes sequer deles conversarem).

Fora isso ele ainda é mega violento e tem pensamentos bem doentios em relação aos amigos da Bella e principalmente em relação ao Mike. Ah, eu comentei que nesse livro ele ameaça a Bella de morte NO MÍNIMO 100 vezes? Porque isso também acontece.

Fora esses pequenos detalhes, foi muito interessante poder ver a história por outra perspectiva, já que o Edward desaparecia em vários momentos de Crepúsculo e nesse livro podemos finalmente saber por onde ele andava e o que ele fazia nesses momentos.

Finalmente pudemos entender porque o Edward amava tanto a Bella. Em Crepúsculo a personagem se vê como fraca, boba e sem sal, e é essa representação que temos no livro e no filme, porém, na visão de Edward, ela é incrível, culta, inteligente e cheia de personalidade. Dá um significado muito mais forte ao amor deles.

Temos muitos detalhes da família Cullen nesse livro, que nunca tivemos antes, como por exemplo o passado da Alice com o James, a perseguição do James que é relatada em detalhes, também temos o longo período em que a Bella fica internada após o acidente e Edward fica no hospital, que antes não tínhamos acesso porque a Bella estava desacordada, enfim, temos muitos momentos bacanas que não teríamos acesso pelos olhos da Bella.

A amizade entre Alice, Bella e Charlie é muito explorada aqui também, algo que amei. E falando em Charlie, temos momentos incríveis do Charlie ciumento como por exemplo quando ele liga para o Carlisle para pedir o que ele achava da relação dos ‘jovens’.

Uma das minhas cenas preferidas com certeza é quando eles levam Bella para o hospital, sangrando após o incidente da sala de espelhos, e começam a bolar um plano para acobertar a verdade. Edward dá as ideias, Alice vê o futuro para ver como o plano transcorreria e imediatamente Edward lê sua mente e vai alterando o plano até ela ver que tudo vai correr como planejado. É uma narração intensa e INCRÍVEL de acompanhar.

No geral, acho que a leitura de O Sol da Meia-Noite é simplesmente NECESSÁRIA para todo os fãs da saga Crepúsculo. Ele traz detalhes e informações sobre os personagens que nunca tivemos antes e que com certeza mudam nossa perspectiva da história. Eu amei odiar esse livro!

Resenha | Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

“O mundo prefere respeitar as pessoas que querem dominá-lo” – Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

Quero começar respondendo a pergunta que eu me fazia sempre que via alguém recomendando esse livro no Tiktok. “Será que é tão bom assim” SIM! É tão bom assim.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um livro escrito de uma forma bem peculiar, que foi novidade pra mim. O livro começa sendo narrado em primeira pessoa pela personagem Monique, uma jornalista que vive no ano de 2017 e trabalha para uma revista em NYC.

Um belo dia, sem razão aparente, Monique é convocada a entrevistar uma das atrizes mais famosas da história do cinema Hollywoodiano: Evelyn Hugo.

Ao começar a entrevista, porém, Monique descobre que na verdade o interesse de Evelyn não é em uma entrevista qualquer para uma revista, mas que na verdade seu plano é fazer com que Monique escreva sua biografia, com todos os segredos e mistérios que nunca foram expostos para a mídia.

A partir desse momento, passamos a ter alguns tipos diferentes de narrativa.

Narrativa 1: Monique, em 2017, contando seu dia a dia trabalhando com Evelyn.

Narrativa 2: Evelyn, narrando em primeira pessoa toda a sua vida desde o início de sua carreira, até o presente.

Narrativa 3: Matérias de jornais e revistas que trazem o olhar que Hollywood tinha e tem da estrela Evelyn Hugo.

Com esses três pontos de vista diferentes, somos apresentados aos altos e baixos da vida de uma atriz de Hollywood dos anos 60, latina, de origem pobre, que teve que fazer muitos sacrifícios para subir na vida.

Nos sentimos penetras, descobrindo os segredos sombrios dos bastidores da indústria cinematográfica e sofremos com a realidade dura e preconceituosa da época. E as narrações são tão bem feitas que em alguns momentos eu até esqueci que os personagens eram fictícios e fiquei com vontade de assistir seus filmes e conferir suas fotos nas premiações – EU JURO!

Por mais que o título da obra fale sobre seus sete maridos, o foco da história, do início ao fim, é o grande amor da vida de Evelyn: sua esposa! Sim sras. e srs.: SUA ESPOSA!

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é nada mais do que uma história de amor. Arrebatadora, real, envolta de segredos e obstáculos atenuados pela época em que a trama se passa. É uma história de amor entre esposa e marido, esposa e esposa, entre amigos, entre mãe e filha. É única e puramente uma história de amor.

E eu recomendo de olhos fechados. Dê uma chance para Evelyn Hugo roubar seu coração!

ps: meu casting dos sonhos seria Sofia Vergara e Jéssica Chastain e por incrível que pareça eu imaginei isso enquanto lia, antes de saber que essa já era a opinião de TODA a internet.

Resenha | Anne e a Casa dos Sonhos

“Tudo bem, a vida pode ser um vale de lágrimas, mas suponho que algumas pessoas gostam de chorar.” – Anne e a Casa dos Sonhos

Chegamos no quinto livro da coleção Anne de Green Gables, e desta vez Anne está casada, mais madura do que nunca e pronta para viver sua tão sonhada vida em sua perfeita Casa dos Sonhos.

Em Anne e a Casa dos Sonhos, Anne e Gilbert se mudam para Four Winds, uma cidade portuária. Gilbert trabalha como médico no centro da cidade, enquanto Anne passa os dias em sua amável casinha, que fica mais afastada, próxima do farol e do mar.

Nesse local remoto, o jovem casal não conta com muitos vizinhos, se não a jovem Leslie, o experiente capitão Jim, responsável pelo farol da cidade, e a amarga Senhora Cornélia, que tem a maior aversão aos homens e a língua extremamente afiada.

O livro tem início com o belíssimo casamento de Anne, que acontece em Green Gables, seu lar da infância. É um momento marcado por emoção e despedidas, seguido pela partida do casal para sua nova vida. E esse é praticamente o único momento que temos em todo o livro que remete à antiga vida de Anne em Avonlea.

Se em Anne de Windy Poplars já havíamos nos afastado do antigo universo onde Anne viveu na infância, agora, depois de casada e com uma casa só sua, nos afastamos ainda mais. Porém, nossas queridas Marilla e Rachel Lynde visitam a casinha dos sonhos com frequência.

Pela primeira vez, temos uma descrição um pouco mais aprofundada da relação entre Anne e Gilbert, algo que não tivemos desde o começo da história, por mais que os bebês ainda cheguem carregados por uma cegonha (acho hilário como a autora consegue remover toda e qualquer atração carnal de suas descrições, transformando tudo em um perfeito conto de fadas).

Anne chega a sua Casa dos Sonhos aos 25 anos e vive 2 anos de altos e baixos, risos e lágrimas, entre aquelas quatro paredes. Tantas histórias são contadas ao longo desses anos em frente à lareira. Eu acho particularmente incrível assistir a forma como ela consegue construir laços tão intensos em todo lugar que vai e amei acompanhar o desenrolar da sua amizade com os novos personagens desse livro (por mais que eu quisesse estapear a Leslie em alguns momentos).

Os novos personagens são bem peculiares e possuem suas próprias histórias e tramas que vão se desenvolvendo ao longo do livro. Isso dá um ar diferente à história, que deixa de girar unicamente em torno de Anne. Também temos um capítulo inteiro do livro narrado por ele, Gilbert Blythe, o que eu achei muito bacana e acho que poderia ter se repetido mais.

Outro ponto interessante desse livro em questão é o momento sombrio e depressivo pelo qual Anne passa, o que trouxe a história pra mais perto da realidade e mostrou que nem mesmo as pessoas mais felizes conseguem se manter positivas o tempo todo.

Com 27 anos e dois anos inesquecíveis vividos em sua casinha dos sonhos, Anne e Gilbert finalizam as 256 páginas se mudando para uma nova casa, onde com toda certeza serão ainda mais felizes e poderão expandir sua pequena e adorável família.