Resenha | A Razão do Amor

“Estou começando a me perguntar se isso é estar apaixonada. Aceitar se rasgar em pedaços para que a outra pessoa possa ficar inteira.” – A Razão do Amor

A Razão do Amor é mais um daqueles livros que se tornou fenômeno no Tiktok e consequentemente acabou chegando até mim. É o segundo romance da autora Ali Hazelwood que se passa no meio acadêmico (ainda não li A Hipótese do Amor).

Enquanto lia A Razão do Amor vi muitas críticas no youtube de pessoas afirmando que ele seria apenas “uma cópia barata” de seu antecessor e que não valia a pena a leitura. Porém, como eu não li A Hipótese do Amor, minha opinião não irá se basear em comparações.

A Razão do Amor (título original: Love on the brain, que faz MUITO mais sentido), conta a história da neurocientista Bee Königswasser, que conquista uma vaga mega concorrida para trabalhar em um projeto da Nasa.

Porém, junto com a boa notícia veio uma ruim: ela teria que trabalhar lado a lado com o engenheiro Levi Ward, seu arqui-inimigo da faculdade.

Como vocês podem imaginar, esse é um romance enemys to lovers, onde os protagonistas começam inimigos e acabam se apaixonando, e já acho importante ressaltar que é um SUPER slow burn, ou seja, as coisas evoluem MUITO, MUITO devagar.

Gostei muito do estilo da escrita em primeira pessoa, da construção dos personagens e seus passados, assim como a construção da relação dos protagonistas, que foi lenta, mas muito detalhada, mostrando como eles tinham absolutamente tudo a ver um com outro. Porém, uma coisa pesou muito nesse livro para que eu não avalie ele de forma tão positiva: a Bee, sim, a protagonista.

O livro é narrado por ela, então o fato de ela ser completamente insuportável não torna a leitura muito fácil. Bee sofreu muitos traumas durante sua vida, como ter perdido os pais muito cedo, nunca ter tido um lar fixo e ter sido traída pelo ex-noivo, porém, nada disso explica o quanto ela deixou todos esses eventos empacarem a sua vida, principalmente amorosa. E os desmaios repetitivos e excessivos, AH, um porre!

Como uma adulta bem resolvida e com a terapia em dia, eu só queria dar uns bons tapas na cara dela e falar “MULHER, ACORDA PRA REALIDADE!“. A forma como ela simplesmente decidiu parar de viver por conta de coisas do passado e toda a negação da parte dela em relação ao Levi me deixaram realmente anojada.

Fora esse pequeno detalhe, arrisco dizer que Levi é um dos personagens masculinos mais bem construídos que já vi em um romance, com personalidade, carinhoso, inteligente e gato, é claro! Os personagens secundários como a irmã gêmea da Bee, Rocío, Kaylee e Guy também ganham destaque como uma parte positiva do livro, já que todos foram muito bem construídos.

Também gostei bastante da forma como a autora incluiu o Twitter na história, como uma forma das mulheres do meio da ciência lutarem pelos seus direitos. Foi uma jogada interessante.

Sobre as cenas quentes do livro: elas não são muitas, mas são ÓTIMAS! Muito bem escritas e sem nada constrangedor ou estranho como vemos em alguns livros adultos.

Nota: ⭐⭐⭐

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