Resenha | A Noite em que ela Desapareceu

“É mais fácil lidar com as pessoas se elas te subestimam.” [People are easier to deal with if they underestimate you.] ― Lisa Jewell, A Noite em que ela Desapareceu

Um minuto de silêncio: EU ACABEI DE LER O SUSPENSE DA MINHA VIDA!

A Noite em que ela Desapareceu (The Night She Disappeared) conta a história do desaparecimento de um casal de jovens no interior da Inglaterra. Tallulah e Zach tem 19 anos, namoram desde a infância e acabaram de ter um bebê juntos, o pequeno Noah. Eles moram com a mãe e o irmão de Tallulah, Kim e Ryan.

Tudo corre bem ― aparentemente, é claro ― até que em uma noite de verão Tallulah e Zach desaparecem após comparecer a uma festa na piscina da mansão da família Jacques, a convite de Scarlett, uma colega de faculdade de Tallulah.

O livro tem 416 páginas e é dividido em partes e em narrativas diferentes, o que confesso que foi minha parte preferida porque conecta os pontos de forma genial! Começamos em junho de 2017, na noite do desaparecimento, narrada pelo ponto de vista de Kim, a mãe da jovem desaperecida.

Depois passamos para agosto de 2018, a parte do livro contada pela perspectiva de Sophie, uma escritora de livros de investigação que se muda para a cidade onde o desaparecimento aconteceu (aqui o ocorrido já completou 1 ano). Sophie é a namorada do novo diretor de uma escola particular da região e acabou deixando sua vida agitada em Londres para se mudar com o namorado. No início ela pode parecer uma peça aleatória no quebra-cabeças, mas ela é fundamental para a investigação dos desaparecimentos, já que todos os envolvidos no caso estudavam ou moravam na escola onde seu namorado trabalha e ela é MUITO curiosa!

E por último tempos a narrativa da própria Tallulah, que começa em 2016, quando ela ainda não havia reatado seu relacionamento com Zach (eles ficaram separados por um tempo) e conheceu Scarlett.

Com essas três narrativas avançando paralelamente nós conseguimos começar a costurar a grande rede que é A Noite em que ela Desapareceu. Com o avançar da leitura a linha do tempo da Kim alcança a da Sophie em 2018, enquanto as duas mulheres se unem para auxiliar na investigação, e a narrativa da Tallulah finalmente chega na noite do desaparecimento e as coisas vão ficando CADA VEZ MELHORES!

Ainda temos um quarto ponto de vista no epílogo que responde as últimas perguntas, liga os últimos pontos e nos deixa de queixo caído. Esse livro é uma obra prima do início ao fim.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | A Paciente Silenciosa

“Escolher um amante é muito parecido com escolher um terapeuta. Precisamos nos perguntar, é alguém que vai ser honesto comigo, ouvir críticas, admitir erros e não prometer o impossível?” ― Alex Michaelides, A Paciente Silenciosa

A Paciente Silenciosa conta a história de Alicia Berenson, uma pintora renomada que em uma noite qualquer atirou cinco vezes no rosto do marido e desde então nunca mais falou.

Devido ao seu histórico psiquiátrico e ao silêncio duradouro, ao invés de ser presa Alicia é institucionalizada em uma clínica psiquiátrica.

O livro é dividido em duas narrativas. A primeira são páginas do diário de Alicia, onde temos breves vislumbres de sua vida antes do crime e começamos a coletar peças para montar o quebra-cabeças que é essa história. Já a segunda é a do psicoterapeuta Theo Faber, que esperou anos para poder trabalhar no caso de Alicia e acredita que apenas ele é capaz de fazê-la voltar a falar.

Theo consegue um emprego no Grove, a clínica onde Alicia está internada, e deixa claro desde o seu primeiro dia que seu objetivo é tratar a pintora e descobrir a verdade por trás de seu silêncio e o que motivou tamanha brutalidade.

Eu consigo entender por que esse livro teve críticas tão positivas. Ele é envolvente, cada capítulo te deixa mais curioso pra saber o desenrolar da história, o plot twist no final é realmente muito criativo, mas eu esperava mais…

Primeiramente acho importante ressaltar que eu cheguei em 65% da leitura avaliando a experiência como “mediana”. Livros de suspense geralmente me deixam intrigada, ligada na tomada, com vontade de ler o tempo todo pra decifrar os mistérios, mas aqui isso não aconteceu. Demorei um tempo relativamente longo nessa leitura ― mais de uma semana ― contando com o fato de que eu geralmente leio suspenses em 3 dias NO MÁXIMO, esse é um ponto bem negativo.

E quando a coisa finalmente começou a ficar interessante ― ali pelos 75% ― eu já tinha adivinhado tudo que ia acontecer em seguida. Eu sou péssima em adivinhar o final de séries, filmes e livros, então o fato de que um capítulo inteiro antes da grande revelação eu já sabia EXATAMENTE o que ia acontecer a seguir foi bem desanimador.

Mas eu também não quero ser hipócrita, porque mesmo tendo acertado o plot na mosca eu achei superinteligente! Quando eu percebi o que estava rolando meu queixo caiu lá no chão e foi difícil pegar de volta.

A Paciente Silenciosa está longe de ser um livro ruim, mas também está longe de ser um dos melhores suspenses que eu já li (e olha que eu nem li tantos). Eu esperava mais do enredo, do mistério, do suspense, da investigação, até dos personagens em si e de suas motivações. Acho que isso resume bem minha experiência aqui: eu esperava mais.

Nota: ⭐⭐⭐ ¹/²

Resenha | A empregada está de olho (A Empregada 3)

“Quer dizer, eu não acho que sou uma psicopata, mas não fui pra cadeia por colher margaridas.” (tradução literal) ― Freida McFadden, The Housemaid Is Watching

E ELA NÃO PARA! Freida McFadden é uma máquina e sabe o que o público quer. Após envolver o mundo com a história da intrigante Millie Calloway em A Empregada (2022) e O Segredo da Empregada (2023), entramos em 2024 com o terceiro (e espero que último) livro da série.

Mas por que eu espero que seja o último? Bem, a resposta é bem simples: já deu o que tinha que dar.

The Housemaid is Watching, que foi traduzido para A empregada está de olho, nos mostra uma Millie muito diferente da que vimos nos primeiros livros da série. Mais velha, já que a trama se passa mais de 20 anos no futuro, casada, com dois filhos e um novo sobrenome: Accardi. Millie deixou oficialmente seu passado turbulento para trás e atingiu seu maior objetivo: ser apenas mais uma mãe que vive no subúrbio, tão ordinária que beira o entediante.

“Ser ordinária sempre foi um sonho impossível pra mim, então estou feliz de ter conseguido.” (tradução literal) ― Freida McFadden, The Housemaid Is Watching

Nessa nova trama acompanhamos a família Accardi se mudando para sua casa dos sonhos no subúrbio, onde acabam descobrindo que a vida fora da cidade grande não é tão tranquila quanto parece, muito menos segura.

Com a estranha família Lowell e sua empregada na casa ao lado, uma vizinha bisbilhoteira e paranóica do outro lado da rua, barulhos assustadores durante a madrugada e todos os membros da família mudando de comportamento sem motivo aparente, Millie começa a se perguntar se tomou a decisão certa ao se mudar.

A protagonista passa metade do livro perdida, confusa, desconfiando de todos e todas e sendo enganada e enrolada por todos os personagens. Não sei se gostei da proposta, já que geralmente estamos mais acostumados a ler o livro na visão das pessoas que REALMENTE ESTÃO FAZENDO ALGUMA COISA NA HISTÓRIA! Aqui vemos a Millie mais perdida que cego em tiroteio durante 98% do tempo… além de se mostrar uma mulher passiva, que deixa coisas absurdas acontecerem embaixo do nariz dela sem tomar nenhuma atitude.

É claro que, como nos primeiros livros, em alguns momentos temos o privilégio de ler a história pelo ponto de vista de outros personagens e é aí que as coisas ficam interessantes.

No meu ver, mesmo com suas falhas, o livro cumpriu seu objetivo de instigar a leitura, com personagens envolventes (tem muito personagem novo aqui), bem construídos, muitos mistérios e respostas satisfatórias para todos eles. O plot do final realmente me surpreendeu, fiquei de queixo caído por uns 10 minutos.

Nota: ⭐⭐⭐ (não é ruim, mas esperava mais)

Resenha | O Fabricante de Lágrimas

“Talvez o nosso maior medo seja aceitar que alguém possa nos amar sinceramente pelo que somos.” Erin Doom, O Fabricante de Lágrimas

Sinopse: “Nica cresceu em um orfanato e os contos de fada eram seu único conforto em meio aos terrores reais que assombravam os corredores da instituição. Agora que é adolescente, escolheu deixar as fantasias infantis para trás e focar no seu sonho de ser adotada. Mas, quando o sr. e a sra. Milligan adotam Nica, para a surpresa dela, também decidem acolher Rigel, um misterioso e inteligente garoto que nunca se deixou ser adotado… até agora. E, apesar de ambos compartilharem o mesmo passado, a convivência não será nada fácil ― ainda mais porque Rigel aproveita qualquer oportunidade para relembrá-la do quanto a despreza.”

Em abril de 2024 a Netflix lançou o filme O Fabricante de Lágrimas, baseado no best-seller italiano da autora Erin Doom, publicado em 2021. Assim que ouvi falar sobre o filme e descobri que ele era baseado em um livro eu decidi que precisava lê-lo. Isso já virou algo rotineiro pra mim, ler livros que foram adaptados, mas nunca assistir as adaptações (depois de ler as críticas sempre perco o interesse).

Embarquei na leitura das 560 páginas de O Fabricante de Lágrimas sem saber muito sobre a história. Sabia que se tratava de um casal de adolescentes órfãos que eram adotados pela mesma família e acabavam se apaixonando. Ponto final.

Logo de cara achei a leitura um pouco arrastada, já que o romance em si demora BASTANTE pra acontecer, porém, conforme fui avançando na história e conhecendo mais profundamente os personagens entendi a importância da demora, da paciência e do aprofundamento detalhado da relação entre Rigel e Nica.

Eu descobri que muitas pessoas assistiram o filme e saíram com a impressão de que o relacionamento era tóxico e bizarro, sem entender a real profundidade dos sentimentos dos personagens ou como a situação em que eles se encontravam (se tornarem ‘irmãos’ de uma hora pra outra) não tinha como afetar o sentimento que eles desenvolveram um pelo outro desde a infância.

Confesso que a história demorou pra me cativar, a personalidade tóxica do Rigel unido com o jeito doce, ingênuo e inocente da Nica me fez revirar os olhos diversas vezes, mas valeu a pena seguir com a leitura. Conforme vai avançando nós finalmente começamos a entender de verdade a essência dos personagens e o que eles significam um para o outro.

Se você gosta de romances fofos, realmente românticos, em que há sentimentos correspondidos e principalmente COMUNICAÇÃO entre os personagens: ESSE LIVRO NÃO É PRA VOCÊ. Mas se você gosta de um enemies to lovers, de um slow burn beeeeem demorado e de histórias dramáticas e profundas, vale a pena a leitura.

Como já foi dito, esse não é um livro que eu indicaria pra qualquer pessoa, então vale a pena dar uma googlada antes de embarcar na leitura. Mas se você gostar, garanto que não vai se arrepender! Eu devorei o livro em dias, não conseguia dormir, comer, só pensava em Rigel e Nica 24/7… ele foi como uma droga do início ao fim (não sei nem dizer se no bom ou no mau sentido).

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Amor e Gelato

“Eu vou, porque é mais assustador não ir!” Jenna Evans Welch, Amor & Gelato

Escolhi essa frase porque aqui a mãe da Lina resumiu com clareza meu sentimento atual em processo de mudança pra Europa… nada que eu mesma escrevesse descreveria tão bem o sentimento.

Se você tem redes sociais e é um leitor assíduo com certeza já ouviu falar de Amor & Gelato, um livro de romance adolescente publicado em 2016 que foi (muito porcamente, diga-se de passagem) adaptado pela Netflix em 2022.

O livro conta a história da Lina, uma adolescente que acabou de perder a mãe para o câncer e se encontra em uma situação bem inusitada: ela precisa se mudar para a Itália para morar com um completo desconhecido porque esse foi o último desejo de sua mãe.

O que acontece é que a mãe de Lina havia passado algum tempo em Florença, na Itália, durante sua juventude e ela queria muito que a filha morasse onde ela morou e vivesse com um de seus melhores amigos e ex-namorado da época. Um homem que mais tarde, por intermédio da avó, Lina descobre ser ninguém mais ninguém menos do que o pai que ela nunca conheceu!

A jovem embarca nessa aventura com o coração partido pela perda da mãe e muitas perguntas. Quem era Howard, o homem misterioso? Por que sua mãe nunca havia lhe contado que morou na Itália? Por que ela escondeu que Howard era seu pai? Quem realmente era sua mãe e por que ela criou a filha cercada por mentiras e mistérios?

Ao chegar na Itália a jovem descobre que sua mãe deixou um de seus diários para a filha, o diário que ela mantinha na época em que morou ali, e que possivelmente vai ajudá-la a encontrar as respostas para tantas perguntas.

MAS E O ROMANCE? Em seu primeiro dia na nova realidade, ao correr pelas belíssimas colinas dos vinhedos italianos, Lina conhece Lorenzo (Ren!!!), um jovem italiano que mora próximo da sua casa e vira seu melhor amigo quase que imediatamente. E é ao lado dele que a nossa protagonista embarca em uma intensa jornada para descobrir a verdade sobre o passado e decidir o que será de seu futuro.

Temos um friends to lovers no clássico estilo adolescente: poderia ser fácil, mas adolescentes não sabem se comunicar e transformam tudo em um grande show de horrores! Mas é lindo ver a amizade deles evoluir e se transformar em amor. Eles são fofos demais e shippaveis do início ao fim.

Dito isso, Amor & Gelato é um livro que aborda temáticas intensas, mas mesmo assim consegue ser uma leitura muito leve e gostosa, que te faz viajar para a Itália e refletir sobre todas as decisões que você já tomou na vida!

⚠️ ATENÇÃO: Se você está lendo essa resenha antes de ver a BOMBA que é o filme, por favor, não assista o filme porque ele não tem absolutamente nada a ver com o livro. A Netflix conseguiu transformar algo fofo e cheio de significado em um triângulo amoroso bobo e sem sentido.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Melhor do que nos filmes

“Minha herança foi saber que o amor está sempre no ar, é sempre uma possibilidade e sempre vale a pena.” ―  Lynn Painter, Melhor do que nos filmes

Depois de uma jornada intensa lendo Fourth Wing, resolvi ler um romance pra espairecer e escolhi Melhor do que nos filmes, que eu já tinha visto algumas pessoas recomendando nas redes sociais.

E meus amigos, que livro FOFO! Levei um tempo pra me cativar pela história, já que saí de um livro super complexo e caí de paraquedas em um romance de adolescentes no ensino médio, cheio daqueles dramas típicos que estamos acostumados. Mas depois que engatei, devorei a história como se minha vida dependesse disso.

O livro conta a história da Elizabeth Buxbaum (mais conhecida como Liz), uma adolescente que perdeu a mãe quando era muito jovem e desde então tornou-se uma verdadeira fanática por filmes de comédia romântica, algo que herdou da mãe, com quem os assistia quando era criança.

Ela é diferente da maioria das garotas da sua idade (afinal, ela é a protagonista, né?), usa vestidos floridos, sapatos de boneca e seu ideal de diversão é passar as noites sozinha, comendo pipoca e assistindo seus preciosos filmes. Além disso, é uma romântica incorrigível que acredita que algum dia irá encontrar o “cara ideal” e ser feliz para sempre.

E esse cara ideal com certeza não é seu vizinho. O terrível, mas absurdamente lindo Wesley Bennett, que mora na casa ao lado de Liz desde que os dois eram crianças e dedicou boa parte da sua vida em tornar a de Liz miserável, podia ser amado e querido por todos a sua volta, mas com certeza não por Liz (como alguém viciado em comédia romântica não percebeu pra onde isso aqui estava indo?).

Quando Michael Young, um amigo de infância de Wes e Liz, volta para a cidade depois de anos morando no Texas, a protagonista vê seu retorno como um sinal, já que o garoto foi seu primeiro amor e se encaixava perfeitamente no papel de “cara ideal” que ela construiu com o passar dos anos.

Porém, Michael continua vendo Liz como a criança que brincava de pique-esconde com ele anos atrás e não como uma jovem atraente e possível par romântico. É aí que entra nosso enredo principal. Liz decide pedir ajuda a Wes para conquistar Michael e convencê-lo a convidá-la para o baile de formatura.

E é aí que a diversão começa! Melhor do que nos filmes nos presenteia com um enemies to lovers unilateral maravilhoso, já que a gente sabe que o menino que irrita a menina na verdade nunca odiou ela de verdade, né? E ao mesmo tempo nos cativa com momentos profundos em família, aborda de uma forma muito delicada a questão do luto e de como ele muda a vida das pessoas, além de explorar a amizade e a mentalidade adolescente em sua forma mais pura, com todo o caos, a incerteza e é claro, os hormônios.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Resenha | A pequena padaria do Brooklyn

“Ser corajoso é reconhecer seus limites e se arriscar mesmo assim” – Julie Caplin ( pequena padaria do Brooklyn)

Após cair de amores pelo primeiro livro da série Destinos Românticos: O Pequeno Café de Copenhague, corri de braços abertos para o livro dois: A Pequena Padaria do Brooklyn, protagonizado pela nossa já conhecida Sophie Benning, uma jornalista inglesa especializada em culinária.

Essa história se passa após O Pequeno Café de Copenhague e nos mostra uma Sophie de coração partido após descobrir que foi enganada por anos pelo namorado e que decide agarrar com unhas e dentes a oportunidade de fazer um intercâmbio de trabalho por seis meses em Nova York.

Ela chega nos Estados Unidos sem rumo algum, sem saber quem é, o que gosta ou o quer, exatamente da forma como todos se sentem após terminar um relacionamento longo e que supostamente iria durar ‘para sempre’. Mas isso começa a mudar quando ela conhece Bella, a locatária do seu apartamento e dona de uma padaria cheia de charme no mesmo prédio.

Bella também acontece de ser prima de um dos colegas de trabalho de Sophie, o garanhão, colírio para os olhos, homem mais popular de NYC, também conhecido como Todd. Desde que Sophie e Todd se conhecem algo é deixado muito claro: ELA NÃO DEVE (NÃO PODE!) SE APAIXONAR POR ELE! Um tipo bem clássico de romance que eu A-M-O, a trupe da menina diferente de todas as outras que pode consertar todos os traumas do mocinho.

Com o passar dos meses os dois acabam virando amigos, Todd se disponibiliza a mostrar a cidade pra Sophie, os dois ajudam Bella com frequência na padaria, Sophie vira a dupla de lei de Todd em todos os eventos sociais de trabalho, etc etc. Tudo como amigos…

Até que um dia isso muda. Um pequeno gesto vira o mundo dos dois de ponta cabeça e ambos se encontram enfrentando dilemas, traumas, medos e precisam de muita coragem pra superar suas diferenças.

Esse é um livro leve, mas ao mesmo tempo cheio de gatilhos quando se trata de relacionamentos e principalmente pessoas dramáticas haha por muitas vezes eu quis pegar o Todd pelos ombros e esbofetear o bom senso pra fora dele, mas infelizmente não era uma possibilidade.

Assim como o primeiro livro da série, esse te faz mergulhar de cabeça no destino escolhido, Nova York, o Brooklyn. Te faz viajar com as descrições precisas dos aromas, os detalhes da padaria e das noites em claro de Bella e Sophie fazendo bolinhos. É um livro encantador, mágico até.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Resenha | Coraline

“Ser corajoso não signifca não ter medo. Ser corajoso significa estar com medo, muito medo, mas mesmo assim fazer o que é certo” – Neil Gaiman, ‘Coraline’

Coraline (2009) é um dos meus filmes de Halloween preferidos da vida! Porém eu só descobri recentemente que o longa é uma adaptação de um livro escrito pelo autor Neil Gaiman e publicado em 2002.

Me apaixonei pela versão ilustrada da editora XXX, porém, como vou me mudar e não posso mais comprar livros físicos, acabei lendo a mesma versão, porém no Kindle (assim consegui ver as ilustrações incríveis, mas é claro que não foi a mesma coisa).

Confesso que foi uma leitura demorada e arrastada, pelo fato do livro ser EXATAMENTE como o filme, parecendo inclusive um roteiro do mesmo, então o leitor acaba não se surpreendendo em nenhum momento durante a leitura, mas isso não torna o livro ruim, de forma alguma, apenas repetitivo pra quem já viu o filme milhares de vezes.

No filme temos o personagem Wybie, que acaba se tornando amigo de Coraline e exerce um papel fundamental no desenvolvimento do enredo. Porém, esse personagem não existe no livro e Coraline passa todo o tempo apenas com o gato, a srta. Spinky e a srta. Forcible.

Além disso, achei a personagem muito mais sagaz, inteligente e menos ‘chata’, digamos assim, no livro do que no filme. Mas ela realmente age mais como uma criança de verdade agiria no filme do que no livro. No livro ela resolve todos os problemas e sai de todas as enrascadas sozinha, sem a ajuda do Wybie, que no filme é responsável por salvá-la diversas vezes.

Fora esses pequenos apontamentos, tenho quase certeza que todas as cenas do livro estão na adaptação cinematográfica (vou ter que re-assistir pra confirmar) e arrisco dizer que o filme de 2009 é uma das melhores adaptações de livros que eu já vi, tendo se aprofundado ainda mais na história do que o livro, o que é algo raro.

Nota: ⭐⭐⭐

Resenha | Vermelho, Branco e Sangue Azul

“Às vezes você simplesmente pula e torce para que não seja um penhasco.” – Vermelho, Branco e Sangue Azul

Depois de muito ouvir sobre essa história que conquistou o mundo no último ano, finalmente li Vermelho, Branco e Sangue Azul (li em um dia, alguns dias após a adaptação estrear no Prime Video). E que surpresa agradável!

Pra quem não conhece, Vermelho, Branco e Sangue Azul conta a história de amor improvável entre Henry, o príncipe da Inglaterra, e Alex Claremont-Diaz, o filho da presidenta dos Estados Unidos.

Fazia muito tempo que eu não me sentia tão cativada quanto me senti por esses dois personagens, que são desenvolvidos de uma forma tão leve, gostosa e intensa ao mesmo tempo. Eles são cheios de camadas, cada um possui seus próprios dilemas na vida e ambos se encontram encurralados diante desse amor que tem tudo pra dar errado.

Ele começa com um enemys to lovers de qualidade, o que me ganhou já de primeira, e se desenvolve para um dos romances mais puros e lindos que eu já tive o prazer de testemunhar (por meio de palavras haha).

Pra quem viu o filme e não leu o livro, a essência é a mesma, porém temos algumas diferenças bem importantes. No livro temos um aprofundamento na descoberta do Alex como bissexual, algo que já está mais esclarecido na adaptação, mas é de extrema relevância no livro. Também temos mais personagens, que acabam enriquecendo a história, como a irmã mais velha do Alex, a June, o senador Rafael Luna, que é uma grande inspiração para o Alex no mundo da política e acaba se tornando uma peça chave na trama principal, e é claro, a mãe do príncipe Henry, que desempenha um papel relevante quando o príncipe precisa enfrentar a rainha (sim, no livro temos uma rainha).

A estrutura familiar do Alex foi completamente alterada no filme, o que eu acho que tirou um pouco da profundidade do personagem, já que no livro seus pais são divorciados, o que desencadeia diversas discussões e reflexões, e ele também tem a irmã mais velha, que sempre foi um alicerce na sua vida.

O trio da casa branca (Alex, June e Nora, a neta do vice-presidente), fizeram muita falta no filme também. Entendi a ideia de unir as duas personagens femininas em uma só, mas achei que de toda forma a Nora do filme foi zero relevante pra história, o que é bem triste quando comparado com o livro.

Essa resenha virou uma comparação entre filme e livro, mas vamos fazer o que, não é mesmo? Vamos considerá-la como uma espécide de: VALE A PENA LER O LIVRO SE EU JÁ VI O FILME? E a resposta é: SIM!

O livro é muito mais profundo, aborda temas mais relevantes, os personagens tem mais camadas e são mais bem explorados, assim como o passado dos protagonistas. As cenas de drama são MUITO MAIS TRISTES (chorei de soluçar) e o livro também tem muito mais política, algo que foi completamente deixado de lado na adaptação. E pra encerrar a resenha e a comparação: o final do livro é muito mais fechadinho e satisfatório para os fãs do casal!

Com certeza um dos melhores romances da minha vida e o defenderei até o final. HISTÓRIA, HEIN?

Nota:⭐⭐⭐⭐

Resenha | O Pequeno Café de Copenhague

“O bom dos erros é que você pode consertá-los.” – Julie Caplin (O pequeno café de Copenhague)

Após perder a promoção que tanto almejava para um colega de trabalho, que era também seu atual ‘namorado’, Kate recebe a oportunidade de atender um cliente da Dinamarca que está abrindo uma loja em Londres.

Ao fisgar o cliente, a nossa Relações Públicas favorita precisa viajar com um grupo de seis jornalistas para a capital da Dinamarca, Copenhague, como parte do plano de marketing do cliente. E essa viagem acaba se tornando muito mais do que apenas negócios!

Preciso começar falando como amei o fato de o livro abordar profissões da minha área (sou jornalista por formação), porque esse detalhe permitiu que eu me conectasse muito mais com a rotina de trabalho e os dilemas profissionais.

Mas fora esse pequeno detalhe, particular meu, o que esse livro mais tem são pontos positivos.

É um romance leve, gostoso, que migra de uma rotina competitiva de trabalho na cidade grande para uma viagem cheia de descobertas e turismo e ainda mistura tudo isso, obviamente, com romance na medida certa.

O romance aqui é o meu tipo preferido. É um enemys to lovers leve, que evolui de uma forma natural e não se arrasta por metade do livro. O casal tem seus problemas, mas trabalham nos seus sentimentos e resolvem os conflitos, não ficam se lamentando e trazendo mais drama do que o necessário para situações que podem tranquilamente ser resolvidas. ELES RESOLVEM! A protagonista também tem seus dramas internos, mas eles só são apresentados para que a gente possa vê-la os superando.

Eu não tenho palavras pra descrever como amei o elenco secundário, principalmente os seis jornalistas e Eva, a dona do café de Copenhague que se tornou uma personagem tão importante na história. Esse livro é cheio de personalidade, personagens cativantes, ele te dá um quentinho na alma e te deixa com aquela vontade de viajar, fazer amigos e tomar uma xícara de café.

Eu li o livro de 352 páginas em 2 dias e sinceramente não tenho nenhum apontamento negativo. Ele se tornou com muita tranquilidade a minha leitura favorita de 2023 até o momento.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐